Alunos adaptam obras da literatura para teatro e dança

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Iniciativa implantada pelo professor de Literatura e Português, Lindisvalth  Lima, serve como avaliação da 4ª unidade e tem como objetivo fazer com os alunos leiam os clássicos.

No último sábado (25), a quadra do Colégio do Salvador, se transformou em palco para que ‘Dom Casmurro – Machado de Assis, Senhora – Jose de Alencar e Fausto – Goethe’ ganhassem uma nova roupagem.

Alunos do 1º ano do Ensino Médio foram responsáveis por adaptar a linguagem, roteirizar as obras e as apresentarem como avaliação da 4ª unidade para o professor de Literatura e Português, Landsvalth dos Santos Lima.

A iniciativa, já em sua segunda edição, visa despertar nos alunos do 1º ano o gosto pela leitura, a familiarização com os clássicos e uma maior compreensão das obras, é o que explica o professor. “Há uma barreira que precisamos transpor entre a época em que as obras foram escritas e o agora. Os alunos costumam ter dificuldade em relação à linguagem e à temática. Embora essas obras sejam universais, há um distanciamento muito grande, principalmente na visão de mundo, e por isso, essas adaptações acabam fazendo com que os alunos interajam com a obra, que também melhorem o desempenho deles e que sintam mais de perto o que o autor quis passar”, comenta.

Luíza Melo, que interpretou Capitu, diz que antes da tarefa não conhecia a obra ‘Dom Casmurro’, mas que a atividade conseguiu cumprir a missão de trazer um novo olhar para os clássicos . “Foi maravilhoso pegar o papel de Capitu , extraordinário, na verdade. Ela é um personagem muito importante de Machado de Assis  e foi um grande desafio interpretá-la.  Acho que essa atividade cumpriu o objetivo de fazer com que a gente gostasse dos clássicos”, explica.

Uma exceção à regra, João Pedro Silva Dantas, revela que gosta muito de ler os clássicos, especialmente os brasileiros,  e que a leitura prévia, que já havia feito de ‘Dom Casmurro’, foi um facilitador para que ele conseguisse roteirizar a obra.  Do seu ponto de vista, mais do que despertar o interesse pela leitura, a atividade permitiu também que os alunos melhorassem as relações interpessoais entre si. “Eu já tinha lido antes, mas para fazer o roteiro, tive que ler novamente. Roteirizar essa obra foi um pouco difícil por causa da linguagem. Tivemos que adaptá-la para deixá-la mais dinâmica. Foi uma iniciativa legal, um jeito de aprendermos de outra maneira a trabalharmos em equipe”.

Safira Matos e Marx Eliseu foram os responsáveis por interpretar Aurélia Camargo e Fernando Seixas,  personagens centrais de ‘Senhora’, de José de Alencar, que na adaptação escolar, possuíam telefone celular, redes sociais e tinham músicas de Wesley Safadão tocadas nos saraus.

“Foi um pedido do professor que modernizássemos a história, então inserimos o celular e outros aspectos da vida contemporânea. Foi muito gratificante fazermos a peça e ao mesmo tempo também muito difícil por estarmos em período de provas e termos que decorar as falas”, explana Marx.

Safira revela que para montar a personagem leu o livro e também assistiu ao filme e destaca que um dos aspectos que mais gostou foi a construção dos personagens. “Eu achei extremamente interessante analisarmos tanto o livro quanto o filme para interpretarmos os personagens. São personagens muito emocionantes porque o autor detalha muito as emoções e a personalidade deles”

Foram quase três meses de ensaio para transformar Fausto de Goethe em uma apresentação de dança e alinhar músicas contemporâneas à cenas clássicas como o encontro de Fausto e Margarida e  a assinatura do contrato.

De acordo com intérprete do personagem principal,  Agnaldo Feitosa Neto,  trabalhar estas cenas foi um dos maiores desafios da produção.  “Foi bem complicado porque Fausto é um livro muito antigo e muito grosso e nós tivemos que condensar tudo em um musical de meia hora. Toda semana a gente tinha o compromisso de ensaiar. Foi um desafio adaptar com músicas atuais, mas a apresentação foi melhor do que eu esperava”.

Gleide Belfort, mãe da aluna Sarah, viu a apresentação com muita emoção e elogiou a iniciativa. “Hoje foi um grande dia, me senti muito emocionada.  Eu não assisti aos ensaios, mas ficava sabendo do que estava acontecendo.  É um conteúdo muito favorável no crescimento intelectual deles, eu aprovo totalmente e  espero que outros eventos como esse aconteçam. O Colégio, o professor e os alunos estão de parabéns”

“A educação, de modo geral,  está passando por um processo muito ruim no país inteiro e iniciativas como essa aqui do Colégio do Salvador acabam enriquecendo  e fazendo com que a educação se transforme”, finaliza o professor.

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