Alunos assistem e debatem curta-metragem com diretora do filme

0
Alunos e diretora do filme

Cerca de 70 alunos do 9º Ano do Colégio do Salvador participaram de uma atividade multidisciplinar diferente na quinta-feira (13). Em sala de aula, eles assistiram ao curta-metragem ‘Bolha’, dirigido por Júlia Duarte, estudante da Escola de Cinema de Barcelona e ex-aluna da escola. Após a exibição, as turmas reuniram-se na quadra de esportes, para um debate com a diretora do filme. O objetivo foi despertar a reflexão acerca do tema central do curta – as relações familiares, de modo diferenciado e por meio de uma linguagem interativa, além de tratar das características da narrativa cinematográfica.

A ideia de exibir o curta aos alunos partiu da própria diretora, que terminou o Ensino Médio no Colégio há três anos e exalta o amor que sente pelo ambiente escolar responsável por sua aprendizagem. De acordo com ela, o Bolha fala sobre a falta de comunicação familiar e o quanto é difícil ter uma má convivência ou falta de intimidade com a família com a qual se convive.

“A proposta é fazer uma reflexão geral sobre o tema, mostrar um pouco do processo cinematográfico, de como se faz um filme. Mostrar que tem muitas cabeças pensantes por traz de uma peça cinematográfica, que (os filmes) estão ali para conduzir suas emoções e que isso pode ser bom ou não. Temos exemplos de filmes comerciais e outros fora do eixo que estão lá conduzindo muitos pensamentos da sociedade em si. É bom se conscientizar para ter pensamento próprio sobre isso, um pensamento crítico”, explica Júlia, que já gravou dois curtas e está lançando um terceiro filme no final do mês.

Para o professor de Sociologia e Filosofia Arivaldo Montalvão, que ajudou a mediar o debate, Júlia sempre demonstrou uma trajetória diferente, de muita criatividade, e por isso resolveu trilhar o caminho do cinema. “O interessante é que os curtas que ela fez não estão nesta linha do que chamamos de indústria cultural. São curtas que fazem a pessoa refletir. Não tem um final definido. São interessantes para este processo de reflexão dos alunos, para estimulá-los a pensar. Na terça-feira, dia 11, isso foi feito com alunos do Ensino Médio.  No documentário que vimos hoje, fala-se da questão familiar, das relação em família. É importante fazer os alunos refletirem sobre essas questões, sobre o que é família hoje e como era no passado. Como se dá esse relacionamento hoje? Essa bolha da qual ela está falando é ou não é? Existem diferentes bolhas dentro da casa? São questões que colocamos aqui”, diz.

Durante o debate, a aluna Maria Carolina Lopes mostrou suas impressões a partir do filme: “nós criamos e idealizamos aquilo que é perfeito e achamos que seremos felizes com aquilo. Mas tem coisas por trás daquilo que se vê que precisam ser analisadas”. Já o aluno Gabriel Lyra fez outra observação: “percebi, em determinada cena entre pai e filho (em que o filho aparece pequeno e depois já crescido), que a mensagem passada é de que a família não percebeu muito a evolução dele de criança para adulto”.  E Júlia Duarte logo reforçou o debate: “fico feliz de ter provocado este pensamento. Cinema é cheio de truque. Mostrei que a comunicação entre eles não mudou em nada ao longo do tempo. Mostra que não há diálogo”.

Em meio aos questionamentos e observações feitos no debate, o professor Biologia, Cleverton, destacou que, “com todas essas visões colocadas aqui, percebe-se que, na hora em que o filme é lançado, ele não pertence mais à diretora do filme. Os significados serão construídos por cada um de nós, envolvem nossa cosmovisão. A interpretação não é mais de Júlia. A arte continua em cada um, que passa a ser co-autor daquilo. Foi importante ver no filme, além da ideia de estereótipo e as relações sociais na vida moderna, a efemeridade do tempo. O tempo nos aprisiona e, ao mesmo tempo, nos cobra uma velocidade”.

Deixe uma resposta