Amendoim: de tira-gosto a patrimônio imaterial

Cozimento da semente é autenticamente sergipana. Em Aracaju, consumi-la já virou tradição

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Foto: Ana Lícia Menezes

Ele vai bem na praia, no barzinho e até mesmo em casa. Cozido, ele se torna tipicamente nosso. Aracajuano adora e não dispensa, seja acompanhado de uma cervejinha gelada, seja apenas como um passatempo. Nas festas juninas, então, não pode faltar. Semente de uma planta originária da América do Sul, ele é conhecido, em outros países, como caranga, aráquide, alcagoita, mandubi, amendubi, entres outros nomes.

Já descobriu o que é? É o amendoim verde. Cozido em água e sal grosso, como é feito em Sergipe, o amendoim adquire sabor e textura que só se encontram aqui. Como explica o vendedor Antônio Misael, depois de retirado do pé, é preciso cozinhar o amendoim ainda no mesmo dia. Caso contrário, as sementes começam a adquirir um aspecto grudento, o que prejudica o resultado final.

Ainda segundo Sr. Antônio, que vende amendoim no mercado Albano Franco, o processo de cozimento é rápido. “O primeiro tacho é cozido em uns 30 minutos. A partir daí, fica mais rápido. Depois, colocamos na lona para escorrer e esfriar; então, ensacamos”, explica o procedimento que conhece há 23 anos.

Quem vem de fora, prova, aprova e ainda leva quando vai embora. É o caso de Adriana Galvão. Aracajuana e com a família toda morando aqui, ela já morou em diversas cidades brasileiras e, atualmente, está em Salvador.

“Toda vez que venho para cá, levo quilos de amendoim na bagagem de volta para casa. Adoro o amendoim que temos em Aracaju. Em nenhuma cidade que morei, encontrei um amendoim como esse”, conta.

Na capital sergipana, o amendoim cozido pode ser encontrado, principalmente, nos mercados centrais, nas feiras dos bairros e em alguns pontos espalhados pelo Centro da cidade. Mas ainda é possível ver também vendedores ambulantes pelas ruas, a carregar grandes sacos cheios da semente cozida. Eles param de bar em bar, oferecendo o produto. E é difícil haver quem recuse. A atividade impulsiona o comércio local.

Por ser produzido e consumido de forma única em terras sergipanas, além de importante produto comercial, o alimento passou a ser reconhecido como patrimônio imaterial de Sergipe, através da lei estadual 7.682/2013. A lei ajuda a preservar um bem simbólico e autêntico do nosso estado.

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