Ateliê de festas infantis resgata comemorações à moda antiga

Sem os holofotes das grandes festas infantis, projeto propõe comemorações feitas com elementos artesanais, reciclados, brincadeiras educativas e, claro, valorizando a criança como protagonista

0
Propsta do ateliê é realizar festas afetivas, inspiradas na máxima de que "menos é mais"

Nas décadas de 80 e 90, as festas infantis se resumiam em reunir amigos e vizinhos em volta da mesa, com quitutes caseiros e muita, mas muita diversão. Na contramão disso, os anos 2000 trouxeram um outro tipo de comemoração, mais requintada, em buffets, e com decoração suntuosa, onde a diversão do aniversariante muitas vezes é colocada em xeque, em meio a tantos holofotes e compromissos, como as fotografias e vídeos que são feitos para registrar o momento.

Foi com a proposta de resgatar o antigo modelo de comemoração, mais afetivo e feito de forma artesanal, que surgiu em Aracaju o Erê Ateliê. Formado pelo casal Breno Nóbrega e Jaciara Duarte, ambos educadores, e pela filha deles, a pequena Dandara, a proposta do ateliê surgiu mesmo com a proposta de reeducar as festas infantis.

“Nosso ponto de partida foi nossa filha Dandara, hoje com 4 anos, e muitas vezes, enquanto pais e educadores, vivenciamos festas com um propósito que nos incomodavam como: excesso de açúcar e guloseimas, brinquedos prontos, eletrônicos e feitas para atender muito mais aos interesses do adulto do que o da própria criança. Daí, nos questionamos o quanto seria interessante atuarmos no campo das festas infantis, contrapondo o que vem sendo colocado e trazendo um caráter educativo, interagindo com os interesses reais da criança”, ressalta Breno.

Uso de material reciclado, artesanal e a preocupação com a produção de lixo são propostas deste tipo de comemoração
Uso de material reciclado, artesanal e a preocupação com a produção de lixo são propostas deste tipo de comemoração (Foto: Arquivo Erê Ateliê)

Festas afetivas

A ideia, segundo o casal, é de resgatar aquelas festas feitas em casa, com pessoas se mobilizando em prol da comemoração da vida de um ser que integra a família, sem a espetacularização e a lógica do consumo envolvidas nas grandes comemorações atuais.

“Cada vez mais vemos decorações excessivas e pacotes prontos. Isso é preocupante para o desenvolvimento da infância, pois a criança não está preocupada e nem necessita de uma quantidade enorme de bolas, arranjos e luzes que compõem a festa. Ela quer e precisa interagir com o meio: estourar as bolas, brincar, correr e abraçar os amigos. Esse para nós deve ser o ponto central da festa infantil, que a criança protagonize este momento como dela”, afirma Jaciara.

Além de pensar na decoração da festa, o projeto é composto por educadores que levam às crianças brincadeiras educativas e de estímulos
Além de pensar na decoração da festa, o projeto é composto por educadores que levam às crianças brincadeiras educativas e de estímulos (Foto: Vicente Otávio)

A proposta do trabalho realizado pelo ateliê inclui serviços de decoração artesanal e recreação artística infantil, por exemplo, sempre buscando possibilidades de estimular as potencialidades da criança através do brincar.

“Logo, ofertamos oficinas artísticas onde as crianças vivenciam diferentes experiências: massa de modelar caseira, tintas vegetais, pintura coletiva, corte e costura, bijuterias inusitadas, confecção de brinquedos com material reciclável, estação sensorial, colagem, argila, jardinagem, culinária, musicalização, o que sua imaginação permitir. Temos também os jogos cooperativos, onde resgatamos brincadeiras antigas e populares, além de estimularmos a coletividade em detrimento da competitividade”, acrescenta Breno.

Menos é mais

Na decoração da festa, eles buscam ainda utilizar elementos reciclados, observando a redução da produção de lixo durante o evento, como por exemplo, o excesso de descartáveis e as bolas de assopro.

“Toda a concepção da festa é criada junto aos pais e se possível, com a criança. Prezamos pelo significado das escolhas das crianças para compor cenário, bem como confecção dos materiais. O resgate do trabalho artesanal é peça chave desse serviço, trazendo mais personalidade e sentido de festa singular, sem seguir um modelo de festa embalada. Trata-se de uma festa mais intimista, porém sem perder graciosidade e beleza. As clássicas “lembrancinhas e sacolinhas” ganham uma nova configuração, onde a criança confecciona sua própria lembrança ou leva uma arte para construir em casa junto à mãe e o pai, as batizamos como sacolinhas ‘Fui eu que fiz’”, salientou a educadora.

Conheça mais sobre o projeto aqui.

Por Danielle Menezes, da equipe VIP

Deixe uma resposta