Banditismo por uma questão de classe. Greve geral neles!

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Manifestação na Av. Paulista. Foto: Jornal da USP

A noite da quarta-feira (22/03/2017) foi um marco para os brasileiros e as brasileiras. Ainda que tardiamente, um grande número de pessoas percebeu que há um empenho das elites, da grande mídia e do governo Temer e seus aliados, para retirar direitos do povo e para aumentar os lucros do empresariado.

Vem ficando mais evidente que quem está no poder governa para beneficiar um grupo social específico, que enriquece às custas do suor e do sangue da classe trabalhadora. A aprovação da terceirização sem limites foi uma dura agressão a um povo que tanto se sacrifica e trabalha.

É importante lembrar como era o clima no país quando da chegada de Temer à presidência. Sob o argumento do combate à corrupção, massas foram inflamadas a irem às ruas e a bater panelas contra o governo Dilma, pedindo seu impeachment.

O fracasso do governo petista era óbvio e sua incapacidade de governar à esquerda estava desenhada, na verdade, desde quando Lula se empenhou em convencer a militância de esquerda que era necessário construir uma coalizão com a direita para se ter governabilidade.

Achando que nada poderia ficar pior, os batedores de panela vestiram a camisa da seleção brasileira e pagaram um dos maiores micos da história política do país.

O discurso que impulsionava esse clima no país não era apenas contra o governo, mas necessariamente, contra qualquer coisa que aparentasse ser de esquerda – muito embora nem o governo fosse mais de esquerda. Um discurso de ódio tomou conta do país.

Diziam os justiceiros: “bandido bom é bandido morto”; “bolsa-família é coisa de vagabundo”; “precisamos acabar com a ditadura gay”; “mulher tem que ser bela, recatada e do lar”; “racismo é coisa de quem se vitimiza”. Essa massa de manobra teve como grande “ídolo” uma das figuras que representa a própria violação da lei e a utilização dos abusos como método de trabalho: o juiz Sérgio Moro.

Esse cenário de retirada de direitos e de benefícios aos empresários e às elites se completa com uma atuação midiática, que constrói no imaginário popular a ideia de que essas medidas são necessárias para recuperar a credibilidade brasileira no mercado internacional.

Eles dizem que existe um rombo na previdência, que as leis trabalhistas protegem muito o trabalhador, que o Brasil gasta muito com direitos sociais e que precisamos nos adequar, com responsabilidade fiscal.

Eles utilizam palavras bonitas (falsamente bonitas) para conseguir apoio do povo para medidas contra o próprio povo. Quem vai dizer que não quer credibilidade no mercado? Quem vai dizer que não quer responsabilidade fiscal? Quem vai ser contra a modernização das leis trabalhistas? Quem não quer uma previdência superavitária?

Essa atuação orquestrada dos grupos empresariais, do governo, da mídia, do poder judiciário e do poder legislativo é o que podemos chamar claramente de banditismo. Eles utilizam esses termos estranhos ao vocabulário cotidiano popular para esconder o que é fundamental que seja percebido. Eles querem esconder que esse banditismo existe por uma questão de classe!

Se em algum momento trabalhadores e trabalhadoras se deixaram enganar por um discurso ético, moralizador, de combate à corrupção, e terminaram por ajudar seus algozes, a história abre uma nova oportunidade para fazermos diferente. Passa a ser menos importante se você é “petralha” ou “coxinha” – na verdade essa polêmica sempre foi bastante pobre no tocante ao conteúdo político. Passa a ser menos importante se você bateu panela ou não.

O importante agora é perceber que há uma oportunidade histórica para um avanço na consciência de classe no Brasil. Esse avanço não pode estar refém das eleições de 2018, esse avanço deve ser construído agora, na luta e nas ruas! Contra esse banditismo dos poderosos do Brasil, me parece que uma greve geral é um excelente remédio… só pra começar.

 

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