Bióloga avalia o Parque Tramanday e dá diagnóstico: “há assoreamento, despejo de resíduos e deposição de entulho”

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Necessários para a regulação climática ambiental e meio de sustento de inúmeras comunidades sergipanas, os manguezais por muito tempo foram característica principal da grande Aracaju. É comum escutar até mesmo de nossos pais e avós a seguinte frase: “Isso aqui era tudo mangue”, uma imagem tão diferente dos tempos atuais, quando a cidade exibe um perfil mais urbanizado.

Para a bióloga Fernanda Cruz, graduada pela Universidade Tiradentes e autora do último trabalho acadêmico sobre manguezais realizado em Aracaju, Sergipe, “Avaliação dos tensores ativos no manguezal do Parque Ecológico do Tramanday, Aracaju, Sergipe”, essa mudança na capital sergipana é motivo de preocupação. “O ecossistema manguezal é de importância fundamental não só para o controle climático, mas também por sua produtividade, a floresta de mangue é a mais produtiva do mundo, quase todos alimentos que obtemos do mar são provenientes dos manguezais, os peixes utilizam as áreas do mangue como berçários”, explica Fernanda.

Fernanda Cruz

O objetivo do trabalho da bióloga foi avaliar a ação dos chamados tensores ambientais no Parque Ecológico do Tramanday, localizado no bairro 13 de Julho. Construído na década de 90, o parque tinha função de preservar e conservar o mangue, no entanto, o manguezal é atingido diariamente por diversas ações causadas pelo homem na natureza. “Os principais tensores encontrados foram assoreamento, despejo de resíduos e deposição de entulho”, conta a bióloga. “O resultado desses tensores é a morte da vida vegetal e animal no local, o que compromete a função ecológica do mangue”, ressalta.

A-B, Saídas de esgoto para o Manguezal (Foto: Cruz, F.T.A.).

A degradação dos mangues traz impactos não apenas ambientais, mas também sócio-econômicos. A comunidade ribeirinha, população tradicional nas proximidades de rios que sobrevive de seus recursos, é uma das mais prejudicadas. “Esse ecossistema está diretamente ligado ao estilo de vida de várias comunidades artesanais, onde elas utilizam o manguezal como forma de sustento, muitas vezes é o único meio de sustento dessas famílias e sem contar a parte cultural, pois é um conhecimento transmitido dos pais para os filhos e isso pode ser perdido”, explica Fernanda.

A bióloga ressalta ainda que o povo aracajuano precisa estar mais atento às questões ambientais ao seu redor. “É muito importante a educação ambiental, programas de educação ambiental, para que a população entenda que conservar esse ecossistema tão característico da nossa cultura se faz tão necessário a um nível não só local, como mundial”, finaliza.

Por Amanda Magalhães, da equipe VIP. 

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