Cardiologista alerta para risco de doenças cardiovasculares entre os jovens

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Quando falamos em doenças cardiovasculares logo relacionamos às pessoas mais velhas, mas estudos mostram que este tipo de pensamento deve ser deixado de lado, pois o número de jovens e até mesmo crianças com problemas cardíacos têm aumentado consideravelmente nos últimos anos.

De acordo com a cardiologista do Decós Day Hospital, Larissa Cristina, o aparecimento dessas doenças está cada vez mais precoce, por conta do sedentarismo e má alimentação. Estudos revelam que a gordura pode começar a se acumular nas artérias a partir de 2 anos de idade, a depender de fatores genéticos e ambientais.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que em 2022 existirão mais crianças obesas do que abaixo do peso em todo o mundo. A estatística de crianças obesas no Brasil também é muito elevada. Um em cada três brasileiros apresenta sobrepeso ainda na infância. O Ministério da Saúde estima que 33% das crianças brasileiras entre 5 a 9 anos, hoje já estejam acima do peso.

Para a especialista, atualmente, os hábitos alimentares estão diretamente relacionados aos problemas de saúde. “Muito do que acontece hoje no mundo é secundário a alimentação errada. Muito açúcar, gordura e fritura, poucas fibras e proteínas magras. É difícil um prato de arroz, feijão, salada e carne de R$25 reais competir com combos de sanduíches que custam R$15. Vemos que a comida saudável se tornou cara e sinônimo apenas de pessoa ‘fitness’, quando deveria ser apenas de ‘saúde’ ”, destacou.

A médica do Decós Day Hospital também ressaltou que os jovens estão cada vez mais expostos aos fatores de risco. “Além do sedentarismo e má alimentação, a juventude também tem acesso ao tabagismo, álcool e drogas, que aumentam o risco de ataque do coração. Estudos recentes mostram que a ocorrência de infarto aumentou, e muito, em pessoas abaixo dos 40 anos”, afirmou.

Quanto mais cedo o infarto, maior a chance de novos ataques, pois a doença coronariana (lesão nas artérias do coração) é progressiva. Ou seja, se uma artéria é obstruída cedo, a tendência é que as outras também fechem. E infarto, depois das doenças cerebrovasculares, é a maior causa de morte no Brasil.


Exames

Quando se trata das doenças relacionadas ao coração, vale aquela frase: “É melhor prevenir do que remediar”. Hipertensão Arterial, Arritmias e Doença Arterial Coronariana, não causam sintomas por muitos anos e passam despercebidas. Cerca de 30% da população brasileira é hipertensa e a maior parte não sente nada. Segundo a especialista, as doenças coronarianas, infartos e arritmias podem ser detectadas em estágios iniciais com uma história clínica bem-feita.

A cardiologista destacou que exames simples como eletrocardiograma e teste ergométrico podem detectar essas doenças. “O check up serve para identificar os principais fatores de risco e realizar as medidas necessárias para amenizar ou mesmo evitar essas doenças. A idade certa para realizar estes exames vai variar conforme a faixa etária, o estilo de vida, os fatores familiares e as doenças já existentes. Para isso, se faz essencial a avaliação prévia por um cardiologista, que vai averiguar quais exames são indicados em cada caso”, relatou.


Prevenção

Mudando hábitos simples no dia a dia é possível melhorar a saúde, inclusive evitar ou retardar doenças cardiovasculares. De acordo com a Dra. Larissa, grande parte das pessoas pode adotar um novo estilo de vida. “Alimentação com pouco sal, pouca gordura, rica em frutas e vegetais, além de atividade física por pelo menos 30 minutos e 4 vezes na semana, já são de grande valia. Evitar estresse e conseguir um tempo para o lazer também ajudam o coração”, complementou.

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