Cinco fatos que mudam de vez o trabalho das assessorias

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Foto: acervo pessoal

O ano era 2007, quando eu finalmente havia conquistado uma vaga na disputada seleção que Araceli Matos, uma das profissionais de RH que mais admiro no mercado, pilotava na construtora Norcon. A posição no departamento de Marketing e Comercial do sonhado grupo imobiliário, me trazia um misto de novas descobertas à vista com aquela pontinha de sentimento de insegurança, onde me vinha o questionamento: “será que vou dar conta?”.

Há dez anos, quando iniciei meu ofício como assessora de comunicação corporativa, logo fui apresentada aos objetivos do negócio. Bem, isso nunca vai mudar. As empresas e organizações precisam lucrar, se tornarem sustentáveis em seu ciclo existencial e também, acabam desenvolvendo pessoas de acordo com as próprias metas estabelecidas no jogo e com a abertura de cada profissional.

Foi esse desafio somado à perspectiva de desenvolvimento de carreira que me trouxe até aqui, para poder compartilhar um pouco do que aprendi ao longo desta última década. Para mim, escrever é um grande prazer. Mas compreendi que no ofício de assessoria de comunicação, escrever é secundário. Ter uma boa escrita, é o mínimo que você pode oferecer. Para contextualizar a informação, há de se entender claramente a missão, visão e valores empresariais. Onde esta companhia quer chegar? O que ela espera de mim e o que o meu trabalho oferece para a implantação de um plano de comunicação, que está contido no plano de marketing, que está inserido no plano de negócios final.

Não é simples, pois exige um esforço de relacionamento estratégico muito grande. Quanto mais profissionais da organização conhecer e entender também os objetivos respectivos de cada setor, esta orquestra vai se tornando, digamos, sinfônica.

Esta retrospectiva de como iniciei minha estrada como profissional de marketing, trouxe-me uma base sólida para identificar de forma mais clara, os novos desafios dos clientes que hoje confiam no trabalho da agência que lidero, a Comunicação VIP.

Se os desafios e os cenários mudam, advinha só quem precisa se transformar e se adaptar? Não só a área de assessoria de comunicação e imprensa, como também, todos aqueles que são impactados com as mudanças. Elenquei cinco fatos que mudam de vez o trabalho das assessorias.

Esses cinco, para mim, são os principais, pois há de se observar todas as transformações e conhecimentos que devemos buscar ao longo do tempo, que como muito bem cantou o poeta Cazuza, “não para!”

1) O cliente nos canais digitais
O comportamento do consumidor e o ingresso de novas tecnologias vêm alterando cada dia mais rápido, a forma como nos comunicamos. Hoje temos um consumidor social, que pode e deve, fazer uma interação pessoal ao mesmo tempo em que pesquisa o produto-alvo, na internet.

Na rede, ele investiga se há reclamações da empresa ou fabricante em sites de reclamações, como o Reclame Aqui. Verifica a avaliação das pessoas na fanpage e checa também os comentários no google.

Essa audiência tão aguardada pelas campanhas de marketing, que por tabela, geravam-se vendas, está antenada. E não duvide que este consumidor saiba mais do seu produto do que o próprio vendedor que venha a atendê-lo.

Afinal, quando ele for buscar um atendimento presencial, já pode ter feito toda a jornada de compra e seus respectivos momentos. Atender este cliente de forma ágil e pragmática nos sites de reclamação e canais oficiais, é de suma importância. Ficar sem resposta pode dar uma péssima impressão para quem está investigando se adquire ou não, os seus produtos ou serviços.

2) Domínio completo de marketing digital
Este é um dos gatilhos principais da função de assessoria de comunicação: entender os objetivos e momentos do consumidor social ou seja, fazer um trabalho integrado com total domínio em marketing digital.

Quando inaugurei a VIP há cinco anos, já tínhamos o núcleo digital. Para mim, sempre foi uma questão de tempo a receita deste braço superar o de assessoria. E este dia já chegou.

Produzir matérias, pautas e releases agora têm um novo nome: marketing de conteúdo.

Muito mais ligado ao negócio do cliente, com propósito e estudo segmentado em respeito à jornada do consumo. Em cada canal, há um propósito de comunicação, que precisa estar integrado ao site, newsmail, jornal impresso, boletim digital, posts nas mídias sociais, vídeos, e-books, dentre outras ferramentas.

3) Link building
Além deste trabalho muito mais voltado ao relacionamento com o cliente e às metas comerciais da companhia, também há a tarefa importantíssima de link building. Isso significa que conseguir emplacar uma notícia em um meio noticioso valerá muito mais se for seguido do link para a página do seu assessorado.

Dentro do conteúdo trabalhado, inserir cliques navegáveis gerará uma relevância para a página endereçada. Como uma teia bem concebida, este trabalho fortalece a otimização de sites e sua relevância perante buscadores como o google, o famoso SEO (Search Engine Optimization).

Mas é claro que há portais de conteúdo que utilizam a técnica do #nofollow, ou seja, ele até vai gerar o link para seguir o endereço, mas não vai dar a relevância, pois neste movimento quem perderá relevância será ele.

Ah, e nada de enviar releases iguais para todos os veículos onlines. O google além de não pontuar em relevância, poderá até penalizar quem tiver esta prática.

4) Marcar presença e interagir no canal certo
Somos bombardeados por muitas informações, mas escolhemos facilmente o canal que desejamos assistir. Se não tiver nada que nos interesse, há agora uma variedade imensa de séries da Netflix. Não é assim que funciona?

Aliás, a Netflix é um case de geração de produto e comunicação com foco 100% no cliente. E é tão habilidosa essa captação de dados da Netflix, que não dá tempo nem de perceber.

Notou como eles ofertam as séries de acordo com o seu conjunto de interesses, as últimas assistidas, as pesquisadas? E ninguém precisou lhe perguntar nada. Muitas vezes, a depender da geração em que você está situado (X, Y, Z…), nem canal televisivo aberto se assiste mais.

O imediatismo é o que rege meu filho, de sete anos. Ele sabe exatamente o que quer e blinda muito facilmente as informações que não sejam do universo de games, jogos online e campeonatos futebolísticos.

E como é que eu, como assessora de comunicação de empresas, irei aproximar os fatos relevantes e valores destas marcas, junto a um público tão inquieto? Que, notadamente, anda com fome de conteúdo, mas filtra suas próprias escolhas.

Apostar no meio de comunicação correto, para o público certo, exige pesquisa e esforço constante de apuração de métricas como as que se podem obter via google trends e analytics. Vídeos lúdicos e mais descolados por exemplo, funcionam bem com crianças e só tende a crescer entre todas as faixas etárias.

5) Entenda a jornada de compra
Se não se entende as sazonalidades e as motivações que alguém tem ao procurar seus serviços ou produtos, não se compreende qual a jornada que esta pessoa faz para adquirir tal bem.

E o que isto tem a ver com assessoria e marketing de conteúdo? Tudo! Precisamos entender cada momento e fase da vida do cliente. Haverá a hora para sondar, pesquisar, comparar, ir na loja física, na online, de ser impactado pela marca só como lembrança (branding), como posicionamento diante do seu setor (cada dia mais relevante) e da venda direta.

Geralmente o cliente que nos contrata só que saber do fundo do funil, qual a origem daquela venda. Mas há um trabalho grande por trás daquele clique matador. Há um esforço coletivo para que esta marca esteja presente e seja a primeira opção de lembrança, quando houver necessidade ou se tenha oportunidade.

Exemplo: possa ser que alguém sonhe em comprar um apartamento. Há muitas possibilidades, mas no momento, ela talvez ainda não tenha conseguido juntar uma grana para uma entrada. Enquanto isso, essa pessoa precisa ser nutrida por esta marca, por este sonho. De que forma? Este é o dever de casa que todo assessor deve se atentar. Estudar esses momentos, planejar cada passo através de uma comunicação integrada e efetiva, é o nosso dever!

E você, o que vem transformado a sua área?
Adoraria saber: shirley@comunicacaovip.com.br

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