Colégio do Salvador é pioneiro em receber alunos intercambistas

0

O intercâmbio é uma prática cada vez mais procurada pelos jovens que buscam aprimorar um novo idioma, aprender sobre uma cultura diferente e fazer novos amigos. A experiência, além de ser muito rica para quem sai do seu país, também é de muito aprendizado para quem recebe os intercambistas.

Pensando na importância dessa troca cultural, o Colégio do Salvador há alguns anos é parceiro de instituições que promovem intercâmbios, recebendo jovens estudantes de diversos países. “Essa proposta de admissão de intercambista já vem há muitos anos, achamos interessante e importante, pois há uma troca de cultura e também para nós, sob o ponto de vista da educação, é bom para saber como funciona o ensino. Para os alunos acho interessante porque eles vivenciam a troca de realidades bem distintas, como o ponto de vista pedagógico, como é o ensino. E a receptividade é sempre positiva, pois é o perfil do adolescente, desperta a curiosidade de saber essa nova realidade”, explicou o coordenador do Ensino Médio, Ronaldo Cruz.

Atualmente, duas intercambistas estão no Colégio, uma é da Tailândia e a outra de Timor Leste. Em um bate-papo com as jovens, elas se mostraram muito bem adaptadas aos novos costumes e concordaram que essa facilidade se deve ao jeito do povo brasileiro, sempre comunicativo e amigueiro.

A jovens é Aiya Mesamanela, da Tailândia, está há nove meses em Sergipe e estuda no 2º ano do Colégio do Salvador. A estudante contou que quando pensou no intercâmbio, sempre quis vir ao Brasil. “A escolha do país foi minha, mas o estado quem escolheu foi a escola que promoveu o intercâmbio. Sempre achei o Brasil chique e legal. Chegando aqui, achei as pessoas muito interessantes. No meu país não tem abraço, não se fala alto. Aqui as pessoas dançam muito e são mais agitadas”, explicou.

Ainda com algumas dificuldades em falar o português, Aiya disse que a maior dificuldade que enfrentou foi a língua. “A língua portuguesa é muito difícil, muito diferente, tem muitos detalhes e os verbos são muito difíceis de conjugar”, destacou a intercambista que não teve dificuldades quando o assunto foi alimentação. “As comidas eu gosto de tudo, vou até levar cuscuz para Tailândia quando voltar. Só achei diferente ter regras do que comer no café da manhã, no almoço e no jantar. No meu país, pela manhã, podemos comer sopa ou a comida do almoço mas aqui geralmente é pão ou cuscuz”.

As diferenças também continuam quando o assunto é roupa, principalmente, para as mulheres. “Tem muita diferença aqui. As mulheres são mais sexys e as roupas são mais abertas; na praia aqui os biquínis são pequenos”. A aluna, que pretende se formar em arquitetura, também falou um pouco sobre o que percebeu das construções aqui no Estado. “Não percebi grandes construções ou grandes monumentos, mas o que mais me chamou a atenção foram as casas, que são bem diferentes de lá, pois têm muitas cores e na Tailândia é tudo BRANCO”, lembrou.

A outra intercambista que conversamos foi Nadya Andrade Filipe, ela está em Aracaju há três meses e está na turma do 3º ano do Ensino Médio. Ela veio do Timor Leste por intermédio da Rotary e relatou as dificuldades com o idioma, apesar do Português ser uma das línguas oficiais do seu país. “A língua portuguesa também é oficial no meu país, além da língua nativa, mas resolvi fazer o intercâmbio para aprimorar e promover o português. Em Timor usamos mais a língua nativa, já a portuguesa, só falamos na escola. Aqui tenho a oportunidade de dialogar”, explicou.

Apesar de ainda estar há pouco tempo em Sergipe, Nádya não teve dúvida em dizer o que mais gostou de conhecer aqui. “Nesses três meses conheci algumas coisas e o que me interessei muito foi a cultura, principalmente, o forró. Gosto da música, da dança e vou tentar aprender. Quase todas as músicas quando escuto não consigo ficar parada, o ritmo aqui é contagiante”, destacou.

Durante a conversa Nádya contou que tem vontade de ser formar em medicina e explicou que, assim como no Brasil, no Timor Leste, o processo para entrar na faculdade pública é muito concorrido. Sobre o clima e alimentação, a estudante disse que não encontrou dificuldade, pois são bem parecidos.

Assim como Aiya, Nádya também concordou que o jeito de ser do brasileiro ajuda muito na adaptação. “É fácil se adaptar, pois aqui as pessoas são fáceis, recebem bem. O intercâmbio está sendo, para mim, um desafio a ser alcançado, uma barreira a ser quebrada. Fico aqui até janeiro, mas já estou muito encantada com as pessoas e a cultura são muito interessantes”, concluiu.

Avaliação

O coordenador do Ensino Médio, Ronaldo Cruz, explicou que esses alunos chegam na escola com ressalvas, já que o princípio de adaptação envolve a questão do vocabulário e o idioma . “Dentro do conjunto de avaliação geramos conceitos de participação e frequência, a partir daí atribuímos as notas”.

Ronaldo também ressaltou que quando os intercambistas chegam à escola é tentado ao máximo que ele se desvincule da sua língua nativa. “A proposta fundamental é tanto o conhecimento da cultura como a língua. Até agora só tivemos resultados positivos e a nossa proposta é manter isso, o Salvador é referência nessa prática”, relatou o coordenador. Ele também destacou que no segundo semestre vem uma aluna da Itália para cumprir um ciclo de intercâmbio no Colégio.

Deixe uma resposta