Darlei Rochelle e os desafios de ser amazona

Sua história com o esporte começou ainda na infância, no sítio da família descobriu a sua paixão pelos animais, especialmente pelos equinos.

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No mês da mulher, o portal Vip traz uma série de perfis de mulheres inspiradoras.  A Amazona Darlei Rochelle Sá é uma delas. Ela tem 36 anos de idade, é bióloga de formação, mas há cinco anos dedica-se ao hipismo.  Sua história com o esporte começou ainda na infância, no sítio da família onde descobriu a sua paixão pelos animais, especialmente pelos equinos.

“Minha família tinha um sítio mas íamos muito pouco, na adolescência me mudei para Aracaju para estudar, em seguida veio o trabalho e a falta de tempo e oportunidades para me dedicar aos cavalos. De cinco anos pra cá, quando comecei a trabalhar fazendo meu próprio horário, fui em busca de aulas de equitação apenas para montar de forma correta”, relembra.

Darlei conta que conheceu o Centro Hípico Atlântico e descobriu a possibilidade de fazer aulas e logo se matriculou junto com o filho. “A paixão pelo esporte e a dedicação aos meus cavalos só crescem, estou sempre fazendo clínicas – cursos de saltos – com cavaleiros de fora, competindo nas etapas do Norte Nordeste e treinando bastante para obter bons resultados”, pontua.

A amazona explica que as questões de gênero no hipismo são bem equilibradas.  “Uma das coisas mais legais e fascinantes desse esporte é que é o único esporte em que homens e mulheres disputam numa mesma categoria de igual pra igual”, enfatiza Darlei Rochelle. Segundo ela,  isso é muito legal,  porque não existe uma relação de inferioridade no gênero. “Temos excelentes amazonas que são reconhecidas mundialmente e nos esportes olímpicos”.

Darlei sente um grande orgulho em ser amazona. “Um sonho plenamente realizado e com os dois lados da moeda – o da postura, elegância e classe, como também uma rotina de cuidar dos cavalos, ajudar os tratadores do dia a dia e esforço físico nos treinos”, explica.

Sobre os custos para se manter no esporte, Darlei Rochelle comenta que a partir do momento que o atleta tem seu próprio animal, a manutenção aumenta. “Por ser considerado por muitos um esporte elitizado, praticamente não contamos com apoios e patrocínios. Além disso, o hipismo, de maneira geral, não tem muitos incentivos. Sendo assim, precisamos fazer nossas “caixinhas” para viajarmos para as competições fora. Já o meu filho como estuda em uma escola que incentiva bastante os esportes,  ele conta com o patrocínio do Colégio do Salvador nas etapas do Norte-Nordeste”, enfatiza.

Segundo Darlei, representar Sergipe pelo Brasil afora, financeiramente, é bem difícil. Mas emocionalmente e profissionalmente, é maravilhoso. “Apesar de estarmos representando o menor estado, Sergipe sempre se destaca nos campeonatos que participa nas diversas categorias e idades. Meu treinador ficou em primeiro lugar geral no ano de 2016, na Categoria Sênior do NNE, meu filho e eu ficamos em sexto geral, entre outros atletas que também se destacaram e trouxeram medalhas e troféus pra cá”, relembra.

Treinos

Darlei Rochelle tem uma rotina de treinos fixa. Ela pratica a atividade três vezes na semana, cada treino tem duração de uma hora, em média.  Nos treinos são trabalhados a postura, equilíbrio, controle do cavalo, trabalhos de plano e saltos.  “São setes etapas que ocorrem por ano no Campeonato NNE e participamos de  provas internas a cada dois meses, sendo assim treinamos muito e sempre focados nas provas para obter bons resultados”, explica.

Conjunto

As competições são feitas em conjunto: animal e humano. Darlei explica que para ter um bom conjunto com resultados positivos, é preciso sintonia. “Isso começa desde a hora que chegamos na hípica para montar. Precisamos conhecer o animal e nos  comunicar com ele”, explica.

Ajudar na preparação para montar – colocando a sela e os arreios -, conversar, prestar atenção se não tem nenhum machucado ou algo que incomode na hora de montar,  treinar bastante, também são elementos que ajudam no conjunto.

“Agradar quando fazem os movimentos corretos,  e também corrigir de maneira respeitosa quando não obedecem, passear com eles, dar agrados como cenoura, cubos de açúcar. Somando tudo isso ao amor que temos a esses animais tão maravilhosos e inteligentes, conseguimos formar um bom conjunto”, finaliza.

Por José Rivaldo Soares, da equipe VIP

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