Depressão leva a doenças cardiovasculares, alerta cardiologista

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Cardiologista Thais Vieira faz o alerta

Embora a depressão seja um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, atingindo muitas vezes as mulheres, na maioria dos casos, você sabia que se ela não for tratada devidamente, o risco de complicações para o coração, como infarto ou AVC tende a aumentar?

Estudos comprovam que o quadro de depressão pode levar à inflamação dos vasos, à formação de coágulos, à pressão alta e à formação de placas nas artérias. E o pior vem por aí! Isso acontece porque a pessoa com depressão tem um desgaste de todo o organismo tendo reações inflamatórias por causa do aumento dos níveis de cortisol, hormônio do estresse, segundo explica à renomada cardiologista Thais Vieira Carvalho.

“Atualmente, a depressão está no topo dos principais fatores de risco para males cardiovasculares, ao lado da hipertensão, tabagismo, diabetes e colesterol alto. O que muitas pessoas não sabem, principalmente as mulheres, é que 70% deste aumento recaem sobre o estilo de vida de quem está deprimido, já que essas pessoas além de não terem disposição para praticar exercícios físicos, não cuidam da alimentação, têm uma enorme dificuldade para abandonar vícios, como o álcool e o cigarro e não aderem às medicações prescritas pelo médico”, explica a especialista, mencionando que a depressão deve ser vista e tratada como um fator de risco para doenças coronárias.

“É importante ressaltar que a depressão estimula o sistema nervoso simpático e o sistema hipotalâmico no cérebro, levando a alterações no ritmo cardíaco como arritmias, hipertensão arterial, estreitamento dos vasos coronarianos , a hipertrofia do coração, além de estimular o processo inflamatório, aterosclerose e ativação plaquetária”, menciona a cardiologista, afirmando que todos esses fatores levam aos eventos coronarianos agudos como angina e infarto agudo do miocárdio.

Pesquisas

Estudos recentes, como o ENRICHD, destacam que o infarto do miocárdio pode levar ao aparecimento da depressão em cerca de 74% dos pacientes e que a patologia precisa ser detectada e prontamente tratada, pois de acordo com Thais Vieira, a presença da depressão aumenta em cinco vezes o risco de mortalidade pós-infarto do miocárdio em seis meses.

Ainda com relação a esse tópico, a principal causa de mortalidade no mundo são as doenças cardiovasculares e quando as duas patologias estão associadas, ou seja, quando o paciente tem depressão e cardiopatia o prognóstico piora. “Cada vez mais revisões têm mostrado que a depressão está associada com pior qualidade de vida e aumento da morbidade e mortabilidade. Quanto mais severa a depressão maior o risco de desenvolver doença coronária”, alerta a especialista.

Como vários casos das pessoas que sofrem com a depressão ocorrem por causa do estilo de vida, a cardiologista cita que por mais que a patologia tenha fortes componentes genéticos, existem situações que facilitam seu surgimento, como, por exemplo, caso do luto, da ruína financeira ou da separação conjugal.

“Vale lembrar que os hormônios também têm a sua parcela de culpa. Por causa dessa variação hormonal, as mulheres têm o dobro de risco se comparadas aos homens e isso foi comprovado no estudo EUROASPIRE que mostra a prevalência da depressão em cerca de 35% dos homens e em 65 % das mulheres”, enfatiza a especialista.

Como prevenir e diagnosticar?

Diante de um quadro assustador como esse, principalmente ao crescimento da depressão em mulheres, a cardiologista menciona que uma das maneiras de prevenir a doença é procurar gerenciar o estresse e compartilhar as dificuldades do dia-a-dia.

“Como as mulheres levam uma vida agitada e repleta de afazeres, elas precisam aprender partilhar com seus parceiros e amigos os seus problemas. Para se ter ideia, hoje em dia, os próprios médicos estão começando a incluir em suas diretrizes propostas para rastrear a depressão nos consultórios, independentemente da especialidade, já que infelizmente há diferentes tipos de transtornos depressivos, o que complica, muita vezes, o diagnóstico”, fala Thais.

Para diagnosticar a depressão, a cardiologista explica que, primeiramente, é importante saber os sintomas. “Muitos desses sintomas são a tristeza que não passa, choro fácil, dificuldade de se relacionar com as pessoas, insônia e a falta de apetite. Nas mulheres, pode ocorrer enxaqueca, dor no pescoço, tontura e formigamento de um dos lados do corpo – o risco é maior em quem usa anticoncepcional, tem excesso de peso, tem hipertensão arterial ou fuma”, exemplifica a especialista Thais Vieira.

Via ascom

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