Desconfortos gastrointestinais após ingestão de leite e derivados são sinais de intolerância à lactose

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Quando o organismo não produz, ou produz em quantidade insuficiente, uma enzima digestiva chamada lactase, que quebra e decompõe a lactose, ou seja, o açúcar do leite, surge então, a intolerância à lactose.

Pesquisas mostram que 60% dos brasileiros apresentam algum grau de intolerância à lactose, que pode ser leve, moderado ou grave, segundo o tipo de deficiência apresentada. Os sintomas variam de acordo com a maior ou menor quantidade de leite e derivados ingeridos, e estão relacionados à dor de barriga, gases e outros desconfortos gastrointestinais.

Para confirmar o diagnóstico, o médico avalia o histórico do paciente, descarta outras doenças com sintomas semelhantes e pode pedir exames. “Basicamente são quatro as formas de diagnosticar a intolerância lactose: teste do hidrogênio expirado com lactose (método padrão ouro), teste de tolerância lactose (mais usado), teste genético e medida da atividade de lactase duodenal”, destaca Saulo Melo, gastroenterologista do Decós Day Hospital.


Alergia x Intolerância à Lactose

É importante estabelecer a diferença entre alergia ao leite e intolerância à lactose. A alergia é uma reação imunológica adversa às proteínas do leite, que se manifesta após a ingestão de uma porção, por menor que seja, de leite ou derivados. A mais comum é a alergia ao leite de vaca, que pode provocar alterações no intestino, na pele e no sistema respiratório (tosse e bronquite, por exemplo).

Já a intolerância à lactose é um distúrbio digestivo associado à baixa ou nenhuma produção de lactase pelo intestino delgado. “Existem três tipos de intolerância lactose a congênita, primária e secundária. Importante não confundir com alergia ao leite da vaca que é uma reação imunológica, principalmente relacionado a proteína do leite e não tem relação com a lactose. Outros sintomas da intolerância a lactose além da diarreia e gases excessivos são náuseas, distensão abdominal, cólicas e flatulências. Estima-se hoje que cerca de 75% da população mundial sofra de intolerância lactose, porém esse não é uma doença nova e sim, um distúrbio digestivo que passou a ser mais divulgado pela facilidade dos métodos diagnósticos”, ressaltou o médico.

Tratamento

A proposta inicial é suspender a ingestão de leite e derivados da dieta a fim de promover o alívio dos sintomas. Depois, esses alimentos devem ser reintroduzidos aos poucos até identificar a quantidade máxima que o organismo suporta sem manifestar sintomas adversos.

Essa conduta terapêutica tem como objetivo manter a oferta de cálcio na alimentação, nutriente que, junto com a vitamina D, é indispensável para a formação de massa óssea saudável. Suplementos com lactase e leites modificados com baixo teor de lactose são úteis para manter o aporte de cálcio, quando a quantidade de leite ingerido for insuficiente.

“O tratamento se limita a dieta isenta de lactose ou uso da enzima lactase para auxílio na redução dos sintomas. Estudos indicam que cerca de 250 a 300 ml de leite de vaca, algo em torno de 12 gramas de lactose são toleráveis pela maioria dos pacientes. Contudo, cada paciente reage de forma diferente e cada caso deve ser investigado individualmente”, enfatizou Dr. Saulo Melo.

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