Dieta low carb: funciona mesmo?

Nutricionista fala sobre a dieta que promete a perda de peso através da redução de carboidratos na rotina alimentar

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Desde os anos 2000, as dietas com redução de carboidrato ganharam força, conquistando milhares de adeptos. Elas foram sendo aprimoradas e novas versões surgiram, até chegar à modalidade low carb, healthy fat (redução do carboidrato e aumento das fontes de gordura saudável) que, ainda hoje, é uma das estratégias mais procuradas quando o quesito é a perda de peso.

O low carb é, na verdade, um protocolo nutricional que propõe a inversão da pirâmide alimentar através da redução do consumo de carboidrato e aumento da ingestão de proteína e lipídeo.

Dra. Carla Regina Sobral, nutricionista e professora da Universidade Tiradentes. Foto: Acervo pessoal

Segundo a nutricionista e professora da Universidade Tiradentes, Carla Regina Sobral, a ingestão convencional diária de carboidratos varia entre 50% a 60% do valor energético total. Na dieta low carb, essa taxa é reduzida para 5% a 44%, cerca de 40g/dia a 120g/dia, a depender das características físicas e do objetivo de cada paciente.

De acordo com especialistas, isso provoca uma alteração no metabolismo, na qual o corpo passa a utilizar a gordura como fonte primária de energia, e não o carboidrato.

Mas será que isso funciona mesmo?

Estudiosos na área concluíram que a restrição dos carboidratos na dieta acarreta, por exemplo, na diminuição dos níveis sanguíneos de insulina, hormônio envolvido no processo de ganho de peso. O resultado é o emagrecimento e, em alguns casos, a redução dos índices glicêmicos.

Entretanto, de acordo com a Dra. Carla Sobral, essa ação fisiológica dependerá de cada paciente: “Alguns não se adaptam a esse protocolo, ou seja, não emagrecem, não diminuem a saciedade, e, por fim, não há adesão ao protocolo. Outros pacientes apresentam dislipidemia, ou seja, aumento das taxas de LDL, colesterol total e situações de cetoacidose”, explica.

O carboidrato nem sempre foi o vilão

Nas décadas de 50 e 60, estudos apontavam que o consumo de lipídio era um dos principais responsáveis pelo ganho de peso, além de contribuir para o surgimento de algumas enfermidades, como doenças cardiovasculares.

Portanto, apesar da dieta low carb recomendar o aumento do consumo de alimentos ricos em gordura, é preciso observar quais os tipos benéficos ao organismo. Alimentos como abacate, peixe, frutos do mar, azeite de oliva, por exemplo, apresentam gorduras mono e poliinsaturada, consideradas boas.

Já a gordura saturada, presente em alimentos como bacon, banha de porco, carnes gordurosas, frango com pele, recomendados em algumas vertentes de dietas low carb, são bastante questionados quanto aos impactos que geram ou não na saúde do paciente.

A Dra. Carla Sobral alerta que o protocolo low carb não é, necessariamente, uma forma de reeducação alimentar, mas uma dieta restritiva vinculada, normalmente, à perda de peso.

“As pessoas precisam entender que esse é um mecanismo de emagrecimento e se realizado sem acompanhamento nutricional causa danos à saúde. Vários trabalhos hoje mostram que esse tipo de dieta pode induzir a obesidade, alterações hormonais veiculadas a saciedade e situações próprias a cada paciente”, ressalta.

Algumas dietas low carb, além de recomendar a redução do consumo de carboidratos – arroz branco, macarrão, pão -, e aumentar a ingestão de gorduras boas e proteínas – coco, nozes, macadâmias, azeitonas, manteiga, nata, ovos, carnes, peixes, verduras, legumes, sementes – proíbem os alimentos processados e industrializados, promovendo melhorias na saúde do paciente.

Por Layanna Machado, da equipe VIP

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