Escritor Fernando Aguzzoli palestra durante III Simpósio para Filhos de Pais Idosos

Autor da obra "Quem, eu? – Um neto. Uma avó. Uma lição de vida" e criador do site "Vovó Nilva" foi um dos palestrantes do evento organizado pelo Espaço Ativo - Geriatria Integrada

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Fernando Aguzzoli palestra no III Simpósio para Filhos de Pais Idosos

O escritor gaúcho Fernando Aguzzoli foi um dos destaques do III Simpósio para Filhos de Pais Idosos, uma iniciativa do Espaço Ativo, clínica de geriatria integrada, que reuniu filhos de pacientes, com o objetivo de orientar o público-alvo sobre temas ligados à qualidade de vida na terceira (+ de 60 anos) e quarta (+ de 80 anos) idades.

Aguzzoli conviveu de perto com o diagnóstico de Alzheimer de sua avó, Nilva, e foi o seu principal cuidador.  A rotina deles, de uma forma muito leve e bem humorada, foi relatada em página de facebook, virou livro e propósito de vida do jovem jornalista, que hoje viaja o país relatando sua experiência e mantém também um site que trata desta temática (www.vovonilva.com.br) ,  com a colaboração de colunistas multidisciplinares.

” O Alzheimer é um campo muito fértil para o humor, mas a gente demora muito a perceber isso, quando a gente deixa de contrariar, de insistir e forçar ao estímulo cognitivo, tudo fica mais divertido. O bom humor  ajuda os dois lados.  Tornou mais fácil para mim cuidar dela e para ela também, que não tinha que encarar a frustração de perceber  o seu próprio esquecimento. Hoje o meu maior objetivo é ajudar outras famílias, depois que vi como a nossa história deu certo. Eu falo com famílias que passam por essa situação em diversas plataformas possíveis, desde email, do instagram ao site, que também tem um fórum de discussão. Essa é minha motivação hoje: facilitar a informação para o familiar, existe muito preconceito com o diagnóstico e com esse termo ‘demência’ então meu objetivo é tornar as informações sobre Alzheimer mais acessíveis”, explicou o autor.

Equipe do Espaço Ativo

Foi inclusive, a busca por essas informações sobre a doença degenerativa que levou a funcionária pública Kátia Farias de Lima, a professora e bióloga Brenda Libório Prado Moraes Mota e o jornalista Érico Benedito Meireles de Castro a participarem do evento. Todos possuem familiares diagnosticados com a doença de Alzheimer. Em comum, além do diagnóstico familiar e da busca de informações, todos os entrevistados querem proporcionar o máximo de autonomia e qualidade de vida para seus entes.

O pai de Kátia e a sogra de Érico ainda moram sozinhos, assistidos por cuidadores, por suas respectivas famílias e com o acompanhamento da equipe multidisciplinar do Espaço Ativo. Ambos relatam que este acompanhamento tem sido primordial para a manutenção de um quadro de estabilidade em seus familiares.

“Ele foi diagnosticado recentemente e tem mais ou menos dois meses que ele está fazendo a terapia ocupacional do Espaço Ativo, duas vezes na semana, e eu já percebi melhora no funcionamento cognitivo dele”, comentou Kátia.

Já a sogra de Érico convive com Alzheimer há três anos e ele relata que foi um longo processo até a família e a paciente encontrarem um equilíbrio. “Ela já esteve muito pior, mas fomos controlando, equilibrando com remédios, hoje ela está mais calma, mais tranquila, está se lembrando mais. O nosso objetivo é conseguir manter ela nessa meia lucidez e aumentar a qualidade de vida dela, já que sabemos que não tem como revertermos a doença. A nossa preocupação é dar a melhor qualidade de vida que ela possa ter e por isso que vim ao evento com a minha esposa e meus filhos”, explanou.

Brenda é a única neta da avó diagnosticada com Alzheimer e participou do simpósio porque viu a oportunidade de se conectar ainda mais com a idosa e poder ajudá-la no convívio com a doença. “Minha avó só teve filhos homens então o acompanhamento mais de perto acaba vindo para a neta mulher e por isso que participei do evento. Minha avó frequenta o Espaço Ativo e eu vim aprender como cuidar dela”.

Para a geriatra Luciana Costa de Oliveira Gouveia, a principal intenção do simpósio foi atingida: integrar as gerações e promover um diálogo maior, difundindo o conhecimento sobre o cuidado com os idosos para seus familiares, fundamental para o tratamento deles. “A gente só consegue resultado em geriatria quando a gente trabalha com paciente e com a família como um todo. As pessoas precisam começar a pensar mais cedo nessa possibilidade muito real que existe do cuidado, é algo que faz parte da vida mesmo, hoje as famílias são muito pequenas e sentimos falta disso de quem se prepara para os cuidados. E para os idosos, digo que se deixem cuidar, muitos idosos não gostam de ser cuidados, achando que estão incomodando, que estão dando trabalho, mas isso é se deixar amar”, ressaltou.

A integração entre a família e a equipe médica foi reforçada na fala da geriatra Juliana Silva Santana Pereira, que notou que quanto mais contato e troca de experiência, melhor é o cuidado e a saúde deste idoso. “Percebemos que quando a gente se reúne para passar informação, para trocar experiências, para tirar dúvidas, é muito proveitoso. Eles [família] gostam muito, agradecem e a gente percebe um resultado positivo na saúde daquele idoso em que o filho é mais conhecedor e está linkado diretamente com a equipe de saúde. Então, para mim, esse contato com a família do paciente é fundamental”.

Também palestrante no Simpósio, a psicóloga Gabriela Alves Oliveira, do S.O.S. Vida, falou sobre cuidados paliativos e como eles são importantes no tratamento do paciente e de seus familiares, que devem ser vistos como um todo. “É importante olhar para as emoções que surgem nesse período de adoecimento, principalmente quando se trata de uma doença que ameaça a continuidade da vida e olhar para as emoções, para as relações,  para as mudanças nas relações, para a reorganização familiar. A unidade de cuidado é o paciente e a família.  Todo mundo é afetado pelo processo de adoecimento, principalmente quando é uma doença grave, crônica, progressiva, que não tem cura e aí todo mundo é afetado e precisa ser cuidado”, apontou.

Temas abordados

Dentre os temas abordados no ciclo de palestras do Simpósio, estiveram os cuidados paliativos, a síndrome da fragilidade, risco de quedas, casa segura e a importância dos exercícios físicos e cuidados com a alimentação. O evento contou com o apoio da Libbs, Hospital Primavera e S.O.S. Vida.

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