Largo São Bento: roteiro para comer, rezar e amar

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Fotos: Shirley Vidal

Com mais de 400 anos, o Largo São Bento, em São Paulo, é sem dúvidas, um dos pontos históricos do Brasil que vale a visita. Na mesma região há igreja, mosteiro, faculdade, colégio, biblioteca, cafés antigos e a própria padaria dos monges beneditinos.

A faculdade, a primeira de Filosofia do País, fora fundada em 1908 e é considerada o embrião da Universidade Católica de São Paulo. Já o Mosteiro, iniciou-se em 1598, se confundindo com o início da própria fundação da capital paulista.

Detentora da informação e do conhecimento por longos anos, a Igreja Católica sempre investiu na formação educacional e religiosa dos seus. Os monges, em especial, são pessoas com muita habilidade no ofício da leitura e escrita, bem como, na transmissão do conhecimento.

Fato que pode ser comprovado ao se visitar a Biblioteca do Mosteiro de São Bento de São Paulo (as visitas para quem não é aluno ou funcionário do mosteiro devem ser agendadas previamente). Com um acervo de mais de 100 mil títulos, livros muito antigos chegaram ao Brasil com os primeiros monges. Lá, consta o Novo Testamento bíblico com publicação de 1496. Uma raridade para os pesquisadores de Teologia.

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Imagem interna da Igreja de São Bento

Um Domingo no Largo

Em clima de Ora et Labora (ora e trabalha), e no caso dos monges paulistas, et Legere (leia), também, o sentimento de recolhimento oriundo da clausura de cerca de 45 religiosos, é contagioso.

Impossível seria pisar no Mosteiro e não ser invadido pelo sentimento de tratamento espiritual. O canto gregoriano, o aroma de incenso, a ritualística romana de se cultuar o belo através do trabalho, do prazer em servir, está intrinsecamente ligado ao projeto beneditino, cuja empatia por esta que vos escreve, é fatal.

Fui no Domingo de Ramos, à Missa das 10h, onde acompanhei com muita comoção, à Procissão de Ramos. Com meu ramo de arruda e oliveira em mãos,  me entreguei ao convite de oração a Jesus. Todas as casas que se prestam ao serviço de orar e servir sem distinções, creio eu, têm a benção de Deus. Independente de religião.

A Igreja se fez repleta de Cristãos reunidos para agradecer e pedir: perdão, cura, inspiração, salvamento, quiçá, milagres. E ali, em meio ao povo, cumpri todo o ritual da Missa entoada por cânticos renovadores de fé. Foi realmente emocionante e não poderia deixar de dar o meu testemunho.

Na saída, os monges organizam filas para dar acesso à padaria do Mosteiro. Além de rezar, comer também é uma das minhas especialidades. Com bolos, pães, biscoitos, geléias e licores batizados com nomes de santos, fiquei imaginando como seria uma visita do Traz a Conta @trazaconta (do Cinform) nesta abençoada padaria.

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Bolo dos monges
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Sainte Madeleine
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Santa Escolástica

 

 

 

 

 

Café Girondino

Saindo da disputada padaria do Mosteiro, fui ao Café defronte, o Girondino. Com três pavimentos, o prédio ainda parece viver em pleno século XX.

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A decoração típica e o longo balcão de salgados e doces já entrega logo as origens. Sentei-me em uma mesa com vista para o Largo e para a Igreja. Sou dessas pessoas românticas que parece desejar revisitar um passado remoto.

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“- Moço, me sugira o que peço. O que há de mais tradicional aqui no Café”;

“- Pode pedir nosso cappuccino com sanduíche integral de queijo com tomate e orégano. Nossos fregueses gostam”.

Fui na sugestão docafe-girondino garçom. Me chegou o queijo com sanduíche, de tão recheado que o bicho estava. O cappuccino pedia até foto. Gulosa que sou, não me dei por satisfeita. Tinha uma empada de camarão com palmito que era muita beleza para eu sair de lá sem experimentá-la.

Pronto, foi o que mais gostei. O Café Girondino serve tudo com fartura! Ah, tem almoço e janta também. E assim terminou meu roteiro para comer, rezar e amar, tal qual o filme e o livro.

Para saber mais do Mosteiro de São Bento, dá uma passadinha no mosteiro.org.br

Por Shirley Vidal, da equipe VIP

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