“Moda sem gênero é sobretudo uma questão racional financeira”, afirma Fábio Mariano Borges

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Você já foi hostilizado por utilizar determinada roupa ou usar maquiagem, não convencionais?

Se não foi, com certeza conhece alguém que já passou por algum tipo de constrangimento. A exclusão de biotipos e configurações externas que não lhe pareçam agradáveis tem nome e se chama, preconceito.

Para entendermos este momento, convidamos o professor universitário da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e sociólogo especialista em Consumo, Fábio Mariano Borges, para falar sobre Moda Sem Gênero, um tema que está em pauta não só na própria indústria, mas também nas rodas acadêmicas e setores que têm a inclusão social como meta de negócio.

“A moda sem gênero é urgente, porque ela representa a materialização de um mundo que não se guiará mais pelo pensamento binário, reduzido em duas opções, como o masculino ou feminino. É importante lembrar que em diferentes momentos da história, homens usaram vestidos ou se maquiaram. Não há nenhum motivo racional para restringirmos a moda, que é ampla ao gênero biológico”, afirma Fábio.

De fato, quem já estudou história há de se lembrar do majestoso Rei Luis XIV da França, o ‘Rei Sol’, que com toda a sua imponência e um reinado de 72 anos, utilizava vestidos, saltos, perucas e claro, maquiagem também.

Luis-XIV da Franca
Luis XIV, da Franca

Moda sem gênero não é simplesmente uma questão de estilo e a não aceitação diz mais sobre a sociedade atual do que os adeptos dela.

“A quebra dos gêneros na moda é sobretudo uma questão racional financeira. Hoje, a indústria de cosméticos deixa, por exemplo, de vender esmaltes para pelo menos 100 milhões de homens no Brasil. É um mercado a ser potencializado”, alerta Fábio.

Levando em consideração que variadas vestimentas e cosméticos são reflexos de estilos de vida diversos, é mais do que normal que expressões diferenciadas surjam. O professor afirma que muito mais que uma expressão comportamental, moda é uma forma de expressar a identidade para os outros, e daí a importância de se ter esta liberdade sem julgamentos.

“A moda, a vestimenta, os cosméticos, são sempre uma expressão cultural, até porque, moda é comportamento. Estamos num momento sócio-histórico no qual a discussão sobre igualdade entre gêneros é cada vez mais presente. Não é estranho, aliás é muito lógico, que a moda expresse este momento”, conclui Borges.

Aqui na VIP, esta pauta não é novidade. Entenda o porquê de Moda sem gênero ir muito além de estilo.

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