Moda sem gênero vai além do estilo

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Washington Silva Oliveira, adepto a moda sem gênero

É legal falar de moda porque moda é o que todo mundo usa ou o que todo mundo é. Cada um tem seu estilo e é essa diversidade que vem se desenvolvendo potencialmente e gerando mais e mais estilos.

Defendendo não somente a ideologia em si, a moda sem gênero tem ganhado tamanha proporção por apostar na liberdade das pessoas escolherem o que vestir sem se restringir à cores, cortes ou modelos de vestuários.

Mas afinal, o que é moda sem gênero?

Simplesmente é moda que não é feita para homens ou mulheres, mas para todo mundo. Nada complexo, né? Mas é. A primeira coisa a entender é que a moda sem gênero não fala só sobre calças, camisetas e tênis – peças comuns a ambos os gêneros. Ela faz você se questionar sobre os paradigmas que foram impostos e consequentemente moldaram culturalmente um conceito de vestuário de tal forma, que torna as pessoas intolerantes em relação ao que contraria esse modelo. O conceito de moda sem gênero convida você a olhar para as roupas sem enxergar um corpo específico dentro dela, mas uma pessoa. Qualquer uma. A proposta desse estilo abraça justamente vestuário feito para pessoas, independentemente do gênero.

Fotos do DJ e Digital Influencer, Washington Silva Oliveira, adepto da moda sem gênero

A questão de gênero vem sendo bastante comentada no mundo da moda e muitas marcas estão buscando desenrolar essa ideia em suas coleções. No Brasil nenhuma marca tinha ido direto ao ponto como a tentativa da C&A com sua campanha “Tudo lindo e misturado” que foi lançada no mês de março deste ano.  A campanha estourou na internet quando a marca lançou o vídeo “Misture, ouse, divirta-se” que foi bem aprovado pelos adeptos e simpatizantes, mas sua falha foi grave em continuar separando as peças por sessões (masculino e feminino) em suas lojas, contradizendo tudo o que o conceito de moda sem gênero propõe.

Mesmo com essa tentativa que já significou muito para a introdução de opções mais alternativas no mercado da moda, os estabelecimentos estão a passos lentos no processo de adaptação. O DJ e Digital Influencer Washington Silva Oliveira de 18 anos, relata que apesar de todo o glamour exposto, ser adepto ao estilo não é tão fácil e a acessibilidade às peças é considerado um dos problemas.

“Compro em algumas lojas de departamento, como a Renner, gosto de algumas peças de lá. Aracaju é muito pobre em relação a lojas alternativas e acabamos com poucas opções aqui”.  

Foi em decorrência dessa dificuldade que ele decidiu investir em uma loja virtual que fornece o material que usa. “Eu tenho uma loja virtual, onde produzo algumas peças que eu mesmo escolho o corte, o tecido e todo o acabamento”.

A inspiração do conceito das combinações que ele usa, são advindos dos seus ídolos como as cantoras Lady Gaga e Rihanna, e seu toque particular se dá na mistura de suas predileções de segmentos da moda como góticos, seapunks, cool e por aí vai.

Em entrevista ele declarou também que não se priva de vestir o que quer, mas, às vezes, se contém em determinados lugares e situações por conta do preconceito e julgamento que as pessoas ainda demonstram em reação ao seu visual.

O preconceito tem sido um viés negativo que acompanha esse estilo, e ele pode não ser aceito de imediato, mas se nos atentarmos ao fato de que pessoas são diferentes, pensam diferentemente e agem cada um a sua forma, fica bem mais clara a ideia de aceitação de um estilo que pode não ser o meu ou o seu, mas que existe e muita gente aderiu.

Diferenças existem e devem ser respeitadas, afinal o que vale é se sentir bem e não há tendência melhor do que ser você mesmo.

Por Talita L Ribeiro, da equipe VIP

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