Pesquisadores em Sergipe testam a nanotecnologia para cura do câncer

0
Nanotecnologia celular

O câncer é a segunda principal causa de morte no Brasil. É uma doença de grande incidência, alta mortalidade e de difícil tratamento, havendo um constante interesse social na busca por terapias mais eficientes. Com o objetivo de desenvolver uma formulação mais eficaz, pesquisadores estão desenvolvendo em Sergipe um estudo que propõe o tratamento inovador através da nanotecnologia.

Mas o que seria essa nanotecnologia? Segundo a coordenadora do projeto, Patrícia Severino, é a tecnologia que trabalha com dispositivos em tamanho nanométrico, ou seja, um nanômetro equivale a um milionésimo de milímetro. O que impossibilita sua visualização a olho nu.

patricia-severino
Patrícia Severino coordena o projeto no Instituto de Tecnologia e Pesquisa – ITP

“Com isso conseguimos desenvolver dispositivos em escala manométrica de diversos materiais como polímeros e lipídios. A nanotecnologia pode ser usada em diversas áreas, mas nosso trabalho foca no desenvolvimento de medicamento”, explica Patrícia.

A grande novidade que a tecnologia em escala microscópica traz é a que ela permite a produção de medicamento para câncer mais eficaz, pois direciona o fármaco até o tumor evitando que ele atue em tecidos sadios e cause efeitos colaterais.

“A nanotecnologia permite a encapsulação de fármacos, protegendo-os contra degradações químicas até alcançar o tumor. Permite modular a velocidade de liberação do fármaco e finalmente favorece que o princípio ativo atue somente nas células tumorais, evitando efeitos colaterais indesejáveis”, esclarece a pesquisadora.

O álcool perílico é o princípio ativo utilizado nas pesquisas.  “Ele é extraído do óleo essencial presentes em várias frutas e vegetais. Estudos prévios mostraram que esse princípio ativo é citotóxico [que impede o crescimento de um tecido celular] para uma grande variedade de células cancerosas tanto in vitro como in vivo”, argumenta Patrícia.

A pesquisadora revela ainda que trabalhos clínicos na Fase I apontam para a utilidade do álcool perílico em seres humanos. “Ele é considerado o agente anticâncer mais potente entre a classe dos monoterpenos [óleos essenciais]”, enfatiza Patrícia Severino.

O princípio ativo em questão possui atividade antitumoral. Ele pode ser utilizado como quimiopreventivo e como citotóxico.  “O efeito quimiopreventivo atua pela inibição de respostas ao estresse oxidativo, a inibição da via de RAS [proteínas responsáveis pela proliferação cancerígena], da proliferação celular e na indução de apoptose [morte celular programada] na fase de promoção do tumor da pele”, enumera Patrícia.

Segundo ela, os mecanismos de ação foram investigados em carcinoma mamário de rato e demonstrou a indução da morte do câncer de mama, revelando um possível agente anticâncer.  “Além disso, o álcool perílico tem atividade antitumoral contra o carcinoma pancreático, em doses não tóxicas, e pode ser um agente quimioterapêutico eficaz para o câncer pancreático humano”, finaliza Patrícia Severino.

Por José Rivaldo Soares, da equipe Vip

 

Deixe uma resposta