Problemas de pele relacionados ao coronavírus são identificados por dermatologistas

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Para especialistas ao redor do mundo o coronavírus (Covid-19) é um dos maiores desafios que a medicina e o sistema de saúde já enfrentaram na história da humanidade. Diante da evolução dos casos confirmados nos cinco continentes, do número de mortes que não para de crescer, e da rapidez com que o vírus se dissemina, fica clara a complexidade da doença. E, essa união de fatores, faz com que médicos e pesquisadores, busquem incansavelmente respostas, estudem sintomas e possibilidades de cura.

Nessas pesquisas, a novidade está na identificação de problemas dermatológicos relacionados a Covid-19. Pequenos estudos iniciados na França e Espanha, estão traçando um novo panorama da doença e esse assunto foi abordado pelo Dr. Charles Godoy, especialista do Decós Day Hospital, em Aracaju, através de uma live realizada nas redes sociais da instituição na segunda-feira, 04.

“Diante da complexidade do novo coronavírus, que se mostra como um dos maiores desafios para a medicina e o sistema de saúde, essa é mais uma vertente a ser investigada pelos pesquisadores, já que os médicos que levantaram mais essa suspeita, disseram que ficaram surpresos ao ver tantas variedades de erupção cutânea com a nova doença que se espalhou pelo mundo”, destacou Godoy.

Um artigo publicado na semana passada na revista científica British Journal of Dermatology, sobre o estudo coordenado por Ignacio Garcia-Doval, a forma mais comum de erupção cutânea eram as maculopápulas — pequenas manchas avermelhadas e achatadas ou elevadas que tendem a aparecer no dorso. Todos os dermatologistas da Espanha foram convidados a compartilhar detalhes dos pacientes de Covid-19 que haviam visto e que desenvolveram erupções cutâneas nas duas semanas anteriores.

 

As cinco erupções cutâneas foram:

  • Lesões assimétricas, semelhantes a frieiras, ao redor das mãos e pés, que podem causar coceira ou dor. Geralmente encontradas em pacientes mais jovens, duraram em média 12 dias, apareceram mais tarde no curso da doença e foram associadas a infecções leves. Representaram 19% dos casos.
  • Pequenas bolhas, muitas vezes acompanhadas de coceira, encontradas no torso e nos membros. Mais incidentes em pacientes de meia idade, duraram cerca de 10 dias e apareceram antes de outros sintomas. (9%)
  • Áreas de pele rosadas ou brancas que pareciam comichões acompanhadas de coceira. Principalmente no corpo, mas às vezes nas palmas das mãos. (19%)
  • Maculopápulas, pequenas protuberâncias vermelhas achatadas e elevadas. Representaram 47% dos casos. Duraram cerca de sete dias e apareceram ao mesmo tempo que outros sintomas, mas tendiam a ser observados em pacientes com infecções mais graves.
  • Livedo (também conhecido como necrose) esteve presente em 6% dos casos. A pele parecia vermelha ou azul, com um padrão semelhante ao de redes. Representa um sinal de má circulação sanguínea. Apareceu em pacientes mais velhos com doença grave.

“Não é incomum que uma erupção cutânea seja um sintoma de um vírus. As erupções cutâneas não estão atualmente incluídas na lista de sintomas da doença, sendo que os mais recorrentes são febre alta e tosse seca. Segundo os estudos iniciais realizados, metade dos pacientes apresentou esse sintoma dermatológico, onde eram notadas pequenas brotoejas avermelhadas e achatadas ou elevadas que tendem a aparecer no torso. No entanto, como esse reflexo da doença na pele dos pacientes aparece mais tarde, após a manifestação respiratória da Covid-19, não teríamos como diagnosticar os pacientes a partir desses sintomas”, ressaltou Dr. Charles Godoy.

Dermatologistas na França também fizeram um alerta ao público e aos profissionais de saúde sobre “manifestações cutâneas” que acreditam estar associadas ao coronavírus.
Em um comunicado, a União Francesa de Dermatologistas (SNDV) disse que criou um “grupo no WhatsApp de mais de 400 dermatologistas” que notaram “lesões cutâneas” que podem estar associadas com sintomas da Covid-19. Os problemas cutâneos notados vão desde “a aparição súbita de vermelhidão persistente e às vezes dolorosa, para uma urticária passageira”, detalhou a SNDV, enfatizando que é importante se consultar com um especialista.

“Com a covid-19, erupções cutâneas e úlceras na pele foram observadas em uma parcela dos pacientes hospitalizados. Ainda não sabemos a extensão dessas ligações, ou precisamente por que essa inflamação ocorre em alguns pacientes, mas não em outros”, enfatizou Godoy.

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