Projeto Estrelas do Mar promove inclusão na beira-mar

Projeto Estrelas do Mar utiliza o bodyboarding como ferramenta de inclusão social. Mais de 100 famílias participam do projeto

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Fazer da diferença, igualdade. Da limitação, superação. É assim que o Projeto Estrelas do Mar, criado em 2011, busca ensinar bodyboarding a crianças, jovens e adultos, portadores ou não de necessidades especiais como autismo, paralisia cerebral e síndrome de down. A prática ajuda a desenvolver a coordenação motora e a socialização, além de trazer benefícios psicológicos.

O projeto foi idealizado pelo policial e bodyboarder Byron Silva, que coordena a iniciativa ao lado da esposa Anne. Nascido em família humilde, onde convivia diariamente com doze irmãos – dos quais dez foram adotados -, Byron aprendeu desde cedo os significados da partilha, do respeito ao próximo e da inclusão.

Após uma tragédia que vitimou o primo Ailton Silva, conhecido como Ailton Kostela, com quem mantinha o sonho de criar uma escola de bodyboarding para pessoas carentes, Byron resolveu fazer dos seus princípios, uma causa.

“Era um desafio. Eu sabia da carência de práticas públicas de inserção de pessoas com deficiência no esporte, e busquei com amigos um meio de colocar o projeto em prática. Achei que podíamos fazer algo pelos outros, fazer o bem, com alegria e com esporte”, disse Byron.

Hoje, cerca de 100 participantes, junto com familiares e voluntários, reúnem-se todas as manhãs de sábado no Bar Solarium, na praia de Aruana, em Aracaju. Para muitos, esse representa o primeiro contato com a areia da praia e com a água salgada do mar, um momento que simboliza a liberdade de quem superou seus próprios limites.

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Dificuldades que se transformam em superação

Juliana Pio dos Santos, 49, é mãe de Maria Isabela Pio, 12, portadora de autismo. A menina, que antigamente não interagia e demonstrava agitação, hoje recebe tranquilamente a praia como uma segunda casa. Segundo Juliana, a filha não consegue dizer com palavras o quanto gosta do projeto, mas a satisfação fica evidente no seu comportamento.

“Ela corre, entra no mar, dá para ver no rosto dela o quanto ela está se divertindo!”, disse a mãe, satisfeita.

Histórias de superação como essa se multiplicam a cada novo encontro e servem de inspiração. Com orgulho, Byron relembra algumas delas.

“Temos casos de pais que antes tinham vergonha de sair na rua com os filhos e hoje sentem orgulho por cada gesto e evolução. Crianças que não falavam, que ficavam em casa sem vontade de sair, e hoje acordam os pais porque querem vir para a aula. São pequenas coisas que nos fazem ver que mesmo diante das limitações, todo mundo é capaz”, ressalta.

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Voluntários por amor

Cerca de 60 voluntários auxiliam o projeto de acordo com suas formações (enfermagem, educação física, psicologia, fisioterapia) ou no desenvolvimento de outras atividades como distribuição de lanches e acompanhamento dos alunos. Eles são capacitados para que compreendam os diversos tipos de deficiências, suas limitações e cuidados.

Pedro Vitor Siqueira Barbosa, 27, é um desses voluntários. Há cinco anos no projeto, ele conta que ajuda um pouco em tudo e que o amor é a sua principal motivação para estar lá todos os sábados, “faça chuva ou faça sol”, como disse ele.

“Acredito que muitos voluntários vêm participar com o intuito de ensinar algo, de passar algo para eles (alunos). Mas o que acontece é que nós (voluntários) aprendemos mais do que ensinamos. Questões de humanidade, respeito, carinho, aprender a conviver com as diferenças… é um trabalho que se transforma em amor e volta para você de alguma forma”, conta Pedro.

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Carla Marcela, 24, decidiu conhecer de perto o Estrelas do Mar antes de se voluntariar e ficou encantada com a iniciativa.

“Adorei! É muito bonito o cuidado que eles têm com os alunos, a felicidade deles no mar. São pessoas que normalmente não teriam acesso a esse tipo de diversão, então estão todos de parabéns”, disse.

O projeto não recebe apoio financeiro e se mantém de doações da população e do valor arrecadado com a realização anual da Feijoada do Projeto Estrelas do Mar. Além disso, necessita constantemente de voluntários dispostos a fazerem a diferença.

Para participar como aluno, voluntário ou quem desejar colaborar com o projeto é só entrar em contato por meio da página do Projeto Estrelas do Mar no Facebook ou comparecer ao Bar Solarium durante o horário de realização das atividades. Para alunos e voluntários não é necessário saber utilizar o bodyboard.

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