Quero mudar de profissão. E agora?

A população cada vez mais tem buscado satisfação pessoal no ambiente de trabalho e resgatando habilidades que estavam deixando de lado. Coach explica o processo e dá dicas para a autoavaliação nestes casos

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Você estuda e é condicionado pela sociedade a escolher qual profissão irá seguir ainda aos 17 ou 18 anos. Mas, não é fácil fazer uma escolha como essa ainda na adolescência, não é mesmo? A pressão para acertar na escolha é grande e se errar, a pressão na hora de mudar de profissão também está presente.

Assim foi com a doceira Aline Furtado, 27 anos, que desistiu de uma carreira promissora na área de enfermagem para se dedicar à confeitaria, paixão que nutria desde a infância.

“Sempre gostei de fazer doces, mas em um momento da minha vida eu tive que optar por uma formação tradicional. Minha família exigia isso. Hoje, no entanto, percebi que não era feliz e decidi me dedicar ao meu sonho, com o suporte do meu marido”, conta.

E não foi só ela. Centenas de jovens, de pessoas de meia idade e até mesmo de idosos, têm decidido por mudar de profissão e os motivos são diversos: maior chance de sucesso, realização de sonho antigo, crise econômica e identificação.

No entanto, mudar o rumo da carreira seja aos 25, aos 40 ou aos 60 anos requer não só coragem, mas também determinação e foco para mergulhar numa nova área.

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Ywanna – Publicitária, motogirl e instrutora de autodefesa feminina

De publicitária à ‘moto girl’ e professora de autodefesa feminina
Para a publicitária Ywanna Cerqueira Moreira, de 26 anos, o maior impulso para se dedicar a novos projetos se deu após uma demissão. Feminista e consciente da importância da segurança das mulheres, ela decidiu embarcar em duas ideias que estão fazendo sucesso.

Primeiro, ela virou “moto girl” (moto taxista feminina) exclusiva para mulheres.

“Ganhei uma moto de aniversário na mesma semana em que fui demitida e não queria ficar parada. Daí surgiu a ideia de fazer moto táxi para as amigas, porém isso tomou uma proporção muito grande quando vi, já estava fazendo moto táxi exclusivamente para mulheres”, conta.

De acordo com ela, a ideia surgiu não só como forma de obter renda extra, para também para auxiliar as mulheres que enfrentam diariamente receios de pegar um transporte sozinha, devido à violência. “Como participo de grupos feministas, as amigas e conhecidas, vez ou outra, reclamavam de assédio e medo dos moto taxistas, uma vez que houve casos de estupro realizados por moto taxistas em Aracaju”, complementa.

Ywanna também está se formando em autodefesa feminina e a ideia, após a conclusão do curso, é de abrir o seu próprio negócio e virar empreendedora. “Eu sou publicitária por formação, e se rolar algo nessa área, pensarei sim na proposta. Porém, minha vida está muito legal assim. Eu faço meus horários, não preciso bater ponto e nem sou sugada pelo mercado e pelas horas de trampo sentada”, acrescenta.

Insatisfação
O desestímulo perante a profissão escolhida pode surgir a partir de diversos fatores, sejam eles de aptidão, financeiros e até mesmo pessoais, como a pressão da família para seguir carreiras mais tradicionais.

Isso leva ao mercado, todos os anos, profissionais insatisfeitos e frustrados, que já se formam com a carga de ser bom em algo que eles não são. Dados da Internacional Stress Management Associaton (Isma), fornecidos pela coach e psicóloga Aliani Burckarte, apontam que cerca de 80% dos profissionais ativos no trabalho estão insatisfeitos com a carreira escolhida. Outra pesquisa, do Instituto Gallup, detectou que apenas 13% da população mundial está satisfeita com a vida profissional.

Para a consultora, que atua diretamente na área de mudança de carreira, o que se pode perceber é que as pessoas cada vez mais buscam mudanças em sua vida e que trabalhar deixou de ser uma realização de vida e vira, agora, apenas mais um segmento dela.

Ela ressalta que o papel do coach, deste caso, embora fundamental, é coadjuvante. “Eu costumo dizer que o coach segura uma lanterna para iluminar a sua bolsa enquanto você procura as suas chaves”, afirma Aliani.

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Aliani Burckarte – Coach, psicóloga e palestrante sobre temas ligados a mudança de carreira

Encontrando a felicidade
A coach sugere que o profissional faça um estudo interior, para buscar suas habilidades, necessidades e, principalmente, identificar suas insatisfações.

“A pessoa precisa começar a fazer perguntas para ela mesma sobre a sua vida. Mas, respondê-las, ouvi-las e colocar as respostas em ação. Se existe o desejo de mudar, você precisa saber o que quer mudar! E será que é a profissão que devemos mudar ou as nossas crenças?”, indaga.

Isso porque, segundo Aliani, às vezes a infelicidade na profissão não está diretamente ligada a ela, mas sim a outros fatores externos. Ela classifica a mudança de profissão, neste caso, como mudança momentânea, e classifica como a mais eficaz a mudança duradoura, que busca estudar um espectro maior de aspectos da personalidade.

“Eu diria que “trocar de profissão” em outro ângulo de visão, seria apenas mais uma peça do seu quebra-cabeça de vida, ou seja, a minha dica estaria exatamente aí! Colocar a sua mentalidade para entender o significado o qual tem esse emprego atual ou o momento de estar sem o trabalho monetizado dentro da sua trajetória de vida. Entender que faz parte do processo da sua vida colher essas peças do quebra-cabeça para a montagem do quadro vida”, ressalta Aliani.

Por Danielle Menezes, da equipe VIP

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