Sexo na terceira idade: tabus e prevenção à DST

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A geriatra Dra. Luana Brandão desmistifica o tema. Foto: Roberto Trindade

Diante de uma sociedade cada dia mais esclarecida e informada, um diagnóstico que vem causando estranheza nas famílias e preocupação na área médica é o avanço das DST’s e do vírus HIV no Brasil.

Em especial, o público idoso tem sido um dos mais afetados. Para entender os comportamentos e estímulos que têm levado à população da terceira idade a crescer nesta estatística, conversamos com a Dra. Luana Brandão, geriatra atuante na clínica Espaço Ativo – Geriatria Integrada. Segue a entrevista:

VIP – Há uma preocupação crescente na sociedade que é o aumento acelerado de casos de doenças sexualmente transmissíveis após os 60 anos. Como o profissional geriatra explica esse fato?

Dra. Luana Brandão – O Brasil conta, hoje, com mais de 20 milhões de pessoas com idade acima de 60 anos, representando aproximadamente 10% da população em geral, com estimativas de aumento para 30% em 2050. O prolongamento da vida sexual é um ponto que merece destaque neste contexto do envelhecimento. O aumento da qualidade de vida, os avanços tecnológicos em saúde, os tratamentos de reposição hormonal e medicações para impotência, têm permitido o redescobrimento do sexo entre os idosos . Associado a estes fatores, junta-se a ocorrência de práticas sexuais inseguras, principalmente pela falta de costume no uso da camisinha, contribuindo para que essa população se torne mais vulnerável às infecções pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) e outras doenças sexualmente transmissíveis (DST), como a sífilis, clamídia e gonorreia. Entre os idosos, os homens são os mais acometidos, pois entre as mulheres normalmente há uma baixa na libido após a menopausa e nos homens, a existência de drogas contra a disfunção erétil, acaba, muitas vezes, prolongando sua vida sexual. Cabe ao geriatra, ter um bom vínculo médico-paciente e questionar sobre práticas de atividade sexual e tentar orientar da melhor maneira durante a consulta médica. Nosso trabalho é conscientizar o indivíduo idoso da sua vulnerabilidade.

VIP – Falar sobre sexo na terceira idade ainda é um tabu nas famílias? Partindo deste pressuposto, como abordar o assunto da DST na terceira idade?
Dra. Luana Brandão – Ainda nos dias atuais existe uma dificuldade para conversar sobre o assunto relação sexual. A sociedade se acostumou a ver o idoso no o papel de avôs (e avós) e se esquecem que este idoso também tem desejos e suas relações interpessoais. É de fundamental importância que uma conversa abordando o assunto sexualidade seja iniciada no consultório, e que o paciente seja estimulado a cada vez mais ter confiança para tirar suas dúvidas e receber orientações a respeito. Quando existem outras pessoas da família acompanhando a consulta, é importante que a abordagem seja feita com o paciente em particular.

VIP – Sabemos que cuidar das pessoas idosas requer uma atenção especial. Existe algum relato de paciente idoso que descobriu a doença? Se sim, há um tratamento?
Dra. Luana Brandão – Tive um caso de uma paciente que teve o diagnóstico de HIV, já após os 60 anos. A princípio percebe-se uma revolta muito grande do paciente e da família, mas estavam muito confiantes nos tratamentos. Atualmente já temos tratamentos efetivos para o controle ideal da doença.

VIP – Quando descoberta, a doença pode intimidar o casal ? Existiria, por exemplo, um diálogo com o par, ou seria uma conversa individual em consultório?
Dra. Luana Brandão – De um modo geral o diagnóstico de DST gera algumas discussões, questionamentos e desconfiança entre o casal. Na presença de uma DST deve-se sempre investigar e tratar o parceiro a fim de que a doença seja erradicada, quando possível. O ideal é que a conversa seja feita com o casal, mas desde que se tenha autorização das partes em questão.

VIP – Quais os casos mais frequentes de DST têm tratado?
Dra. Luana Brandão – No Brasil existe a notificação compulsória apenas para HIV e Sifilis, portanto não temos como mensurar de fato quais as DSTs mais frequentemente diagnosticadas. Na prática diária, também são estas duas as mais frequentemente diagnosticadas.

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