Tendência: mercado imobiliário passa por transformações

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Os últimos dois anos foram de rearranjo para a construção civil. A conjuntura econômica do país levou à estagnação do setor e a elevado índice de desemprego: foram 225 mil vagas a menos só em 2016. Com muita oferta e procura moderada, o mercado sente os efeitos, pois a construção civil e a indústria são setores que servem de termômetro da economia.

Entretanto, o mercado já apresenta sinais de recuperação. Os números do Índice Nacional da Construção Civil (Sinap) são animadores. Em março, os preços da construção civil subiram 0,46%, ficando 0,27 ponto percentual acima da taxa de fevereiro, que foi de 0,19%. Isso quer dizer que, com a alta de março, o custo nacional do metro quadrado do segmento subiu para R$ 1.037,96 contra R$ 1.033,16 de fevereiro, sendo R$ 534,22 relativos a materiais e R$ 503,74 à mão de obra.

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Foto: arquivo pessoal

Estoque de produtos similares

O arquiteto Expedito Júnior, executivo da Nova Sergipe – Urbanismo para Negócios, analisa que a recessão não está diretamente ligada às condições de modelos de projetos e concepções, mas a toda conjuntura política e econômica do país.

“Agora, já identificamos que os projetos e soluções que não seguem modelos tradicionais e previsíveis, vêm se destacando. Acredito que boa parte do estoque de apartamentos que temos em Sergipe está relacionado diretamente às mesmas tipologias de empreendimentos, ou seja, muita oferta de produtos iguais, sem diferenciais e em localidades semelhantes”, avalia.

Sob medida

Expedito conta que sua empresa já desenvolveu alguns produtos de nicho no mercado imobiliário. “Eles tiveram uma boa aceitação do mercado, sendo viabilizado completamente durante sua obra, como é o caso do Smart Residence, na Coroa do Meio e Alto das Águas, em Propriá. Quanto a novos produtos, não podemos expor por sigilo comercial, mas posso adiantar que alguns dos projetos desenvolvidos pelo nosso escritório, buscam atender público e demanda específica”, destaca.

O arquiteto comenta ainda que é comum o debate com as construtoras para encontrar as melhores soluções para identificar as demandas, anseios e tendências de cada mercado.

Associações

Números à parte, o segmento apresenta novas modalidades. Uma delas é o regime associativo. Segundo Expedito, o método associativo é uma formatação onde os aderentes ao grupo formado, assumem o desenvolvimento e construção do empreendimento. Em boa parte dos casos, este grupo é administrado por empresas gestoras ou profissionais.

“O regime associativo não é uma novidade. Já é uma pratica do mercado faz bastante tempo, entretanto, nos últimos anos, vêm ganhando corpo em nossa cidade, e tornando-se uma opção de destaque no mercado imobiliário. Agora, não há uma condição específica de construtoras assumirem associações, mesmo que em nosso mercado algumas vêm assumindo esse papel”, analisa Expedito.

O arquiteto analisa ainda que nos últimos dois anos as ofertas de novos grupos e empreendimentos cresceram consideravelmente, denotando transformações. “É um bom sinal de que o mercado imobiliário tem se movimentado, apenas sendo necessário repensar nos papeis de todos os envolvidos. Temos espaço para as associações, onde os empreendimentos devem ser pagos em até sete anos, e espaço para as construtoras e incorporadoras, cujos empreendimentos podem ser financiados em até 35 anos”, detalha.

Tendência Home & Share

O conceito chegou ao Brasil recentemente, com um lançamento da Gafisa em São Paulo. Ele é baseado na economia compartilhada, na qual todas as partes ganham com a divisão. Exemplos bem sucedidos dessa modalidade são o aplicativo Uber e o AirBnb.

Os moradores do edifício paulistano terão 12 bicicletas disponíveis, três carros para locação por hora, uma piscina com bar, espaço gourmet, espaço co-working e um apartamento decorado para receber as visitas. Tudo isso sob responsabilidade do condomínio e disponível a todos os moradores.

Expedito Júnior acredita que vai demorar um pouco para Sergipe atender todo o conceito empregado. “Mas, em breve, acredito que alguns itens poderão ser compartilhados pelos moradores de determinados empreendimentos, como bicicletas e até apartamentos compartilhados, sem ser república”, explica.

De maneira geral, avalia Expedito,  o mercado sergipano ainda tem muito a evoluir e apresentar ao seu consumidor novos produtos, soluções comerciais, inovações e integração com a própria cidade. “Sei que temos excelentes profissionais locais que, além de conhecimento técnico, atendem as demandas das construtoras mantendo as linhas culturais locais”, finaliza.

Por José Rivaldo Soares, da Equipe Vip

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