Transformações na sociedade impulsionam a diversidade no ambiente corporativo

Empresas abraçam a diversidade e inclusão para valorizar equipes e clima organizacional

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Gyselle, da loja GBarbosa da Barra dos Coqueiros

O número de pessoas que se autodeclaram negras e pardas cresceu 21,5% entre os anos de 2012 e 2016, aponta a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad), do IBGE. Juntas, elas representam mais da metade da população brasileira, total estimado em 205 milhões de pessoas. Para os pesquisadores, esse aumento sugere a maior miscigenação e também reforça a autoafirmação de negros e pardos sobre sua identidade. Temas como diversidade, empoderamento, respeito ao outro e o orgulho de ser quem é, por exemplo, estão presentes na pauta de debates eleitorais, movimentos sociais e culturais, noticiários, sinalizando mudanças na sociedade. Diante desse contexto, as empresas estão cada vez mais atentas e buscando acompanhar tais transformações como forma de valorizar as pessoas que compõem suas equipes.

A Cencosud Brasil, por exemplo, quarta maior supermercadista do país, lançou sua Política de Diversidade e Inclusão, declarando os objetivos e princípios da empresa para promover o respeito à diversidade com os públicos interno e externo. “As empresas que desejam ter um diferencial competitivo em termos de pessoas precisam saber atuar com as diferenças. Queremos que nossos colaboradores se sintam respeitados, incluídos e orgulhosos em fazer parte deste time”, explica Fábio Oliveira, gerente de Responsabilidade Social da Cencosud Brasil e integrante da Comunidade de Diversidade e Inclusão do Grupo Cencosud. Hoje, negros e pardos representam 65,2% da companhia no Brasil; destes, 47,8% ocupam cargos de liderança. No Nordeste, contemplando as redes GBarbosa, Perini e Mercantil Rodrigues, centros de distribuição e escritórios, esse número sobe para 61,8%.

Gyselle Silva, 29, é conferente de portaria de recebimento na loja GBarbosa da Barra dos Coqueiros

Esse movimento de autoafirmação, declaração e de identidade muitas vezes acontece de forma gradual e decorrente de vários motivos. Gyselle Silva, 29, é conferente de portaria de recebimento na loja da Barra dos Coqueiros, em Sergipe, e exibe com orgulho seu cabelo trançado. Aos 16 anos ela assumiu sua identidade de gênero e, hoje, um dos seus maiores orgulhos é ter o crachá da empresa com seu nome, inspirado na top model Gisele Bündchen. “No GBarbosa consegui meu primeiro emprego e sempre fui respeitada, bem tratada e acolhida. Sinto orgulho em trabalhar em uma multinacional que me dá oportunidade”, afirma. O conselho que deixa às pessoas, em especial à comunidade LGBTI, é: “A gente precisa se impor como ser humano. Nunca desista dos seus objetivos. Seja você e as oportunidades chegarão”, afirma.

O colega Rogério Santos, 37 anos, está há 14 anos na empresa. Ele atua como conferente da loja GBarbosa Jardins, em Aracaju, e também recebe e orienta os novos colaboradores sobre suas funções na Loja Formadora. “Tive a oportunidade de ministrar uma capacitação a Gyselle e acompanhei seu ingresso no GBarbosa. Conversamos muito e pude entender melhor sua realidade. Acredito que o preconceito acaba quando você passar a ter conhecimento sobre o outro, ver suas potencialidades e ter respeito pelo que as pessoas são. Diante de tantos exemplos, nós, colaboradores, nos sentimos respeitados e valorizados aqui”, ressaltou. E ele costuma dizer aos novos integrantes: “Quer crescer, ter novas oportunidades e responsabilidades? Então, trabalhe com dedicação, participe dos programas de capacitação, pois aqui trabalho e novas chances não faltam, basta querer e se qualificar!”, afirma.

Auda Farias – Gerente de RH do GBarbosa, Perini e Mercantil Rodrigues

Gerente de Engenharia há 11 anos na Cencosud Brasil, o engenheiro Douglas Vasconcelos, 44 anos, concorda que a melhor forma de reagir ao preconceito é por meio do esclarecimento.“As pessoas falam ‘lista negra’, ‘denegrir’, ´judiar´, se referem a alguém como ‘neguinho’, dizem que a coisa está ‘russa’. São palavras que acabaram ganhando um cunho pejorativo e diminuem o negro, o judeu, o russo, por exemplo, e se perpetuam. É preciso chamar a atenção para aumentar nossa consciência sobre isso, seja em casa, na rua ou no trabalho”, relata Douglas. Nascido em Sergipe e atualmente morando em Salvador, ele conta que tem duas filhas e busca educá-las para que vejam o mundo como sendo heterogêneo, diverso, e conta que aprendeu muito com profissionais com quem já trabalhou na empresa. “Sou grato por isso. Quando você convive em um ambiente de diversidade você se aproxima das pessoas e aprende a respeitá-las como elas são, suas histórias, escolhas. Você tem a oportunidade de se libertar desses filtros e passa a enxergar melhor a realidade, afinal, ninguém nasce preconceituoso”, resume.

Para a gerente de RH das bandeiras GBarbosa, Perini e Mercantil, Auda Farias, a Cencosud promove uma cultura aberta, encorajando as pessoas a serem elas mesmas. “Isso faz parte da nossa rotina de gestão e nossas lideranças estão preparadas para acolher e potencializar as competências dos profissionais. Queremos um time integrado, comprometido e que promova um ambiente saudável e positivo para trabalhar. Valorizar nossos colaboradores é valorizar nossa empresa”, afirma. Ela cita ainda os resultados da pesquisa de clima realizada anualmente pela consultoria Great Place to Work (GPTW), tendo GBarbosa e Perini entre as melhores empresas para trabalhar em rankings regionais.

Política de Diversidade e Inclusão do Grupo Cencosud

A Cencosud vem realizando diferentes ações, como divulgação de série de vídeos e-learning, peças de comunicação internas e comitês dedicados à diversidade e inclusão com participantes de todos os países onde está presente. Além da política de Diversidade & Inclusão, a companhia possui o Código de Ética com as diretrizes de comportamento que devem guiar colaboradores a incorporar os princípios e valores da organização em benefício da sua conduta profissional.

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