Uma boa noite de sono está diretamente relacionada à qualidade de vida e saúde

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Uma das regras para ter qualidade de vida é conseguir ter boas noites de sono. O problema é que a insônia tem afetado cada vez mais brasileiros, dado comprovado pela Associação Brasileira do Sono, cujo último estudo aponta que um, em cada três brasileiros, sofre deste mal.

O problema é percebido também em outros países, como afirma o otorrinolaringologista do Decós Day Hospital, Gustavo Lima Cardoso. “Os estudos estatísticos realizados nos Estados Unidos indicam que o problema atinge 50% da população americana. Se nos detivermos nos casos de insônia aguda, que todos têm em algum momento da vida, podemos extrapolar o número para 100%”.

Além do desconforto de não conseguir dormir e o estresse causado pela falta de sono, há outros graves problemas vinculados à insônia. “Há o aumento da probabilidade dos pacientes com insônia apresentarem doenças cardiovasculares e cardiopulmonares, sendo que um dos mecanismos aventados para explicar o risco mais alto, é o de que a falta de sono provocaria um processo inflamatório crônico. Dormir bem contribui para a melhora do metabolismo, ter disposição e prevenir doenças crônicas”, explicou.

O especialista também alertou para o risco de morte em casos mais graves de insônia. “Segundo um estudo do ‘The American Journal of Medicine’, que acompanhou pacientes com insônia persistente durante 20 anos, as taxas de mortalidade nesses pacientes foi 54% maior do que aqueles pacientes que não tinham dificuldades para dormir”.

Por que é tão importante dormir bem?

Os médicos recomendam que uma noite de sono ideal tenha entre sete e oito horas por dia. O que será que acontece com o nosso corpo enquanto dormimos? O otorrinolaringologista explicou os benefícios e os processos naturais do corpo nesse período. “Nos momentos iniciais o tronco cerebral vai sendo desligado gradativamente e nós saímos da fase de vigília. Essa é a fase dos trancos musculares. Passo seguinte: a atividade cerebral diminui até atingir um grau mínimo. É a fase do sono profundo. Depois, ela volta a aumentar, alcança novamente os níveis de vigília, mas os músculos, com exceção dos que envolvem os olhos, continuam sem movimento. É o sono REM (rapid eyes movement) que coincide com o período dos sonhos. Essa fase dura apenas alguns minutos e a atividade cai outra vez”, detalhou.

A alimentação incorreta e a falta de exercícios físicos podem comprometer a qualidade do sono, por isso, Dr. Gustavo deu dicas de que alimentos e atitudes são benéficos ou prejudiciais para a saúde do seu sono. “O paciente deve adotar horários regulares de sono, evitar dormir durante o dia, fazer atividade física preferencialmente pela manhã ou tarde, evitar o consumo de bebidas alcoólicas, além de criar um ambiente o mais próximo do ideal para dormir, evitando iluminação e ruídos excessivos. Em alguns casos pode-se utilizar algumas medicações como antidepressivos ou que diminuam a ansiedade, porém, sempre com prescrição médica, evitando a auto medicação”, detalhou o otorrinolaringologista do Decós Day Hospital.

O excesso de sono não deve ser visto como algo natural. De acordo com Dr. Gustavo, sinais de sonolência e irritabilidade durante o dia devem ser investigados. “É importante lembrar que quantidade não significa qualidade do sono. Sinais de sonolência durante o dia, fadiga, estresse e irritabilidade mostram que esse paciente não está tendo um sono reparador, isto é, um sono com boa qualidade, independente do número de horas dormidas. É importante criar um cronograma, um plano para otimizar suas horas de sono, como manter um horário para dormir, eliminar estímulos sonoros ou visuais no ambiente, não se alimentar próximo da hora de dormir. Caso não haja uma melhora, procure um especialista para melhor avaliação e tratamento”.


Apneia

A apneia, ou ronco, é outro problema do sono, de acordo com o especialista do Decós Day Hospital. Trata-se “de um ruído provocado por estreitamento ou obstrução nas vias respiratórias superiores durante o sono. Esse estreitamento dificulta a passagem do ar e provoca a vibração dessas estruturas. Tem como causas: flacidez nos músculos da boca e da garganta, queixo retraído, obstrução nasal, hipertrofia da adenoide e das amígdalas e envelhecimento”.

Às vezes o ronco pode não ser levado a sério, mas Dr. Gustavo alertou para os riscos reais, já que, durante as crises, o que acontece é o bloqueio de ar pela faringe, além disso outras doenças podem ser desencadeadas devido à apneia. “A apneia do sono, que chamamos de síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) é uma parada respiratória provocada pelo colabamento das paredes da faringe. O distúrbio ocorre principalmente enquanto a pessoa está dormindo e roncando. No caso das doenças ligadas ao coração, como hipertensão arterial, infarto e insuficiência cardíaca, a apneia provoca o aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca. A falta do tratamento também pode aumentar as chances de diabetes, já que o nível de cortisol, um dos hormônios responsáveis por controlar o nível de açúcar no sangue, aumenta após uma noite mal dormida”, explicou.


Tratamentos

Os problemas relacionados ao sono podem sim ser tratados, mas é importante saber quando buscar ajuda médica. Dr. Gustavo também reforçou que qualquer disfunção que atrapalhe sua noite de sono, deve ser levada a sério. “Ao primeiro sinal dos sintomas apresentados, como sonolência durante o dia, fadiga, irritabilidade, baixa produção diária, entre outros sintomas de desgaste, físico ou psicológico, deve-se procurar um médico especialista para avaliar, diagnosticar e tratar o problema, seja uma insônia isolada ou persistente, ou associada a roncos com ou sem apneia do sono. O tratamento deve ser sempre individualizado, pois cada paciente tem sua especificidade e por isso, o tratamento, a meu ver, deve ser multiprofissional. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor será o tratamento e sua repercussão na qualidade de vida do paciente”.

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